Graça e Paz! Seja Bem Vindo!

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21 novembro, 2017

Liderança Espiritual: Suas evidências na vida de Paulo, Pedro e João - Estudo 1

(Introdução)

“Vamos abrir nossas Bíblias no Evangelho de João, capítulo 16, verso 13 a 15. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”
Vamos ler novamente a primeira frase do verso 13. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade”. Vamos ainda a um verso mais, na primeira epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo 11, verso 1: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” Ainda na epístola aos Filipenses, capítulo 3, verso 17. (Fp 3:17) “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.” Finalmente, na epístola de Paulo aos Gálatas, capítulo 6, verso 17. “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.”
Conforme foi anunciado previamente, o tema geral desse encontro é ‘liderança espiritual’. A parte específica, o tema específico sob minha responsabilidade é esse assunto da liderança espiritual como visto na vida de Paulo, de Pedro e de João. Antes de abordar diretamente este tema, queridos irmãos e irmãs, penso que existem algumas considerações que penso ser de extrema importância nesse assunto, ‘liderança espiritual’. Nós vamos buscar fazê-las do modo mais objetivo e didático possível. E que o Senhor nos ajude a considerarmos então aos Seus pés esses assuntos. Primeira consideração preliminar de muita importância: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Me permita repetir uma vez mais: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Vamos procurar ilustrar isso com alguns versos da epístola aos Efésios. Os irmãos sabem que no capítulo 1 de Efésios, no verso 23, Paulo disse que Cristo é “Aquele que tudo enche em todas as coisas”. Na mesma epístola, no capítulo 4, verso 10, Paulo disse que Cristo é “Aquele que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas”. Nesses dois versos nós vemos que, por um lado, o compromisso e o ministério do Espírito Santo é encher todas as coisas com Cristo. Pra isso Ele foi enviado, essa é sua missão, esse é o compromisso, essa é a atividade do Espírito Santo: “Encher todas as coisas com Cristo”. Mas também, nós podemos afirmar pela mesma epístola, capítulo 1, verso 10, que a segunda parte ou o segundo aspecto do ministério do Bendito Consolador é “encher Cristo com todas as coisas”. Por um lado, “encher todas as coisas com Cristo”, por outro lado, “encher Cristo com todas as coisas”. Porque como diz o autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 1, no verso 2, “Ele é o herdeiro de todas as coisas”. Então é de extrema importância para nós, podermos até mesmo dizer que esse tópico citado aqui não é uma consideração, mas é um axioma bíblico, em particular neotestamentário, o Espírito Santo foi enviado com um compromisso e baseado nesse compromisso Ele exerce a sua atividade. E qual é? “Encher todas as coisas com Cristo” e “encher Cristo com todas as coisas”. Esse verso 10 do capítulo 1 usa uma palavra certamente conhecida dos irmãos, a palavra ‘convergir’  que aparece apenas duas vezes em todo o Novo Testamento, outra vez em Romanos, traduzida ali na nossa versão em português por ‘resumir’, “resumir em Cristo todas as coisas”, seria esta a ideia da palavra do capítulo 1, verso 10 (Efésios), e ela significa na língua original: ‘resumir’, ‘agrupar’, ‘conectar’ coisas que antes estavam desagrupadas, descordenadas, desconectadas de Cristo, reunir essas coisas, agrupá-las, mas não apenas isso; além de reuní-las e de agrupá-las, coloca-las todas as coisas debaixo de um único Cabeça universal. E nós sabemos, evidentemente, que esse Cabeça universal é Cristo. Então irmãos, essa é a primeira consideração preliminar de imensa ajuda, necessária para compreendermos o que significa ‘liderança espiritual’. Nós sabemos que essa palavra pode ser usada de uma maneira inadequada, de diversas formas. Então compreendermos que, em termos de liderança espiritual, Cristo está exaltado no trono e enviou a partir dali o Seu Espírito Santo pra realizar essa obra de reunir, agrupar e colocar todas as coisas debaixo dEle como único Cabeça, e por outro lado, encher todas as coisas do universo com Cristo, é então de grande importância pra nós e regula o nosso entendimento de liderança espiritual. Em outras palavras, após a morte, ressurreição e ascensão do Senhor, que como Filho de Deus é o Lider, foi Ele quem disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos”, Ele é o Filho de Deus, o Profeta de Deus, o Sacerdote de Deus, o Rei, segundo o coração de Deus, após completar a Sua obra e ascender, Ele envia dos céus, da sua posição exaltada, o Espírito Santo, para então executar essa obra com o qual Ele se comprometeu (a terceira Pessoa do Deus Triúno, o Espírito Santo), que é exatamente reunir todas as coisas e colocá-las debaixo do encabeçamento de Cristo. “Encher Cristo com todas as coisas” e “encher todas as coisas com Cristo”. Então essa é a primeira consideração. A segunda dela é  decorrente da primeira. Se é verdade bíblica o que acabamos de dizer, então, toda obra chamada cristã tem que passar por um crivo e esse crivo é a sua  eficácia em ampliar a medida de Cristo por todo o universo. De novo, vamos colocar de outra maneira: O teste real de toda obra chamada cristã é ampliar a medida de Cristo neste universo. Claro, porque se o Espírito Santo com esse compromisso e com essa atividade, qualquer obra que se chama cristã e seja genuína e autêntica, ela tem uma finalidade e uma única finalidade: Ampliar a medida de Cristo neste universo. Se esta tal obra cristã, seja ela qual for, tenha ela o titulo que tiver, não cumpre esse serviço, então ela não coopera com o trabalho de Deus pelo Espírito Santo. Então essa é a segunda coisa importante. Mas antes de passarmos pra terceira, ainda decorrente dessa, precisamos falar ainda mais sobre essa segunda. O que seria ampliar a medida da plenitude de Cristo nesse universo? Ah, irmãos e irmãs, esse assunto da medida de Cristo é tão relevante que se pela bondade e misericórdia do Senhor nossos olhos forem abertos, nunca mais serviremos ao Senhor da mesma maneira. A medida de Cristo é o centro do interesse do Espírito Santo. Vamos de novo colocar a mesma coisa de outra forma: Tudo o que conta para Deus é Cristo. Nada mais conta para Deus. Tudo que tem valor, tudo que traz satisfação, tudo que traz alegria ao coração de Deus é o Seu próprio Filho. “Este é o meu Filho amado em quem tenho todo o meu contentamento”. Provérbios capítulo 8, a partir do verso 22 até o verso 31, aquela sabedoria ali é personificada. No verso 12 do capítulo 8 diz: “Eu, a Sabedoria, habito com a prudência”, então essa Sabedoria em Provérbios 8 não é um atributo de Deus, porque um atributo não diz: “Eu”, e no versículo 12 a Sabedoria diz: “Eu, a Sabedoria”, então a sabedoria ali é personificada porque se refere Aquele que é a Sabedoria de Deus. Ele, Cristo, “se nos tornou da parte de Deus”, Paulo vai dizer escrevendo aos Corintios, “Sabedoria, e Justiça, e Santificação, e Redenção” (I Co 1:30). E quando aquela Sabedoria personificada é descrita ali em Provérbios 8, é dito dela que ela estava diante do Pai. Desde a fundação do mundo, antes da fundação do mundo, quando as primeiras obras eram executadas, ali estava Eu, diz a Sabedoria, e Eu era as suas delícias – o Filho, delícias do Pai -, Eu era o Seu arquiteto, eu recreava-me perante Ele no Seu mundo habitável, eu encontrava minhas delícias junto aos filhos dos homens.” Que texto mais precioso mostrando nosso Senhor Jesus, a Sabedoria pré-encarnada, Provérbios capítulo 8. Então tudo o que conta para Deus é o Seu Filho. Qualquer obra cristã que não contribua de alguma maneira para ampliar a medida de Cristo está falida. Qualquer obra cristã que chame atenção para si mesma e não para Cristo, está falida. Qualquer obra cristã que assuma o lugar de centralidade, no que se concerne ao eterno propósito de Deus, está falida porque Cristo é o único objeto de interesse de Deus o Pai. Então a medida de Cristo é o teste real de toda a obra cristã. Agora irmãos, me permitam citar apenas duas passagens para nos ajudar nesta consideração tão importante e preliminar para entendermos este assunto tão sério, o tema dessa conferência: Liderança Espiritual. Se você abrir sua Bíblia em Atos 17, no versículo 31, Paulo está concluindo aquele sermão maravilhoso falado aos ouvidos de filósofos epicureus estóicos no areópago em Atenas. (At 17). No versículo 30, o apóstolo Paulo coloca, podemos dizer assim, todos aqueles filósofos em uma cadeira de réu. E de uma maneira muito ousada em Cristo e pelo Espírito Santo, ele diz a eles: “Deus não levou em conta os tempos de vossa ignorância”. E lembre-se que ele está falando ali com a nata da sabedoria grega do momento. “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam”. E preste atenção no verso 31, ele diz assim concluindo o seu sermão: “Porquanto (Deus) estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo” e agora nós temos duas expressões aí notáveis, a primeira é: “em justiça”, já que a preposição aí na língua original é exatamente o “em” que, traduzida para o nosso Português pode ser traduzida como “com”, como é o caso aí da maioria das versões, talvez aqui, “há de julgar o mundo com justiça”, a palavra é “em”, a preposição “em”, na língua original, “em justiça”. Logo na sequência então da frase segue assim: “por meio de um varão”, e aí nós temos de novo a mesma preposição na língua original, o “em” de novo, “em um varão”, que pode ser traduzida  “por meio de”, como está aí. “Por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando dentre os mortos”. Claro que esse varão é o varão aprovado por Deus; nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo diz nesse versículo que Deus vai jugar o mundo não apenas em justiça, mas Deus vai julgar o mundo “em um varão”. O que julgar o mundo em um varão nos diz? Vamos colocar assim: O Senhor Jesus Cristo é a vara, ou o varão, medida de Deus. Ah, irmão, que importante é compreendermos isso. Por quê? Porque Deus irá colocar e já está em certo sentido colocando, começando pela Sua casa, Sua Igreja, “A hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada”, diz o Apóstolo Pedro na sua epístola, então Deus irá trazer todas as coisas do universo, e a Igreja está incluída no que cabe a ela, todas as coisas do universo serão trazidas para serem medidas aos pés deste varão, medida de Deus. Podemos dizer que esse Senhor Jesus, o varão aprovado por Deus, o glorioso Cristo, é esse metro de cem centímetros, esse metro completo de Deus, diante do qual todas as coisas do universo serão medidas. Por isso a colocação que fizemos número dois. Toda obra cristã será testada com relação à medida de sua eficácia em ampliar a medida de Cristo nesse universo, porque Cristo é o varão, medida de Deus. Se nós medíssemos todas as coisas como Deus mede, que diferença isso faria pra nós! Nós não iríamos buscar a quantidade de psicologia que existe numa pregação cristã, nem de autoajuda.  Nós não iríamos testar a obra de Deus pelos seus números, e nem pela sua popularidade. Nós não iríamos medir uma reunião da Igreja no sentido de que ela nos deu mais ou menos conforto, e nossas emoções foram mais ou menos tocadas. Nós iríamos medir todas as coisas, toda palavra, toda pregação, toda obra, toda reunião, todo ministério, todos os relacionamentos pela medida de Cristo. Quanto de Cristo há nesse assunto? Essa é a única pergunta que nós deveríamos fazer. Mas como nós somos impressionados e nos impressionamos com o que não deveríamos impressionar. Mas isso não muda o fato de Deus. A única coisa que conta pra Deus é quanto de Cristo há em determinada pessoa, em determinado relacionamento, em determinado assunto, palavra, pregação, ministério, obra, reunião, louvores e tudo mais. Um texto ainda pra nos ajudar ainda nessa segunda consideração. Já dissemos numa outra vez que aquele quadro que aparece nos primeiros três capítulos de Apocalipse eles são únicos, maravilhosos. Porque no capítulo 1 de Apocalipse, sem entrar em muitos detalhes, pelo menos nesse momento, talvez falaremos um pouco mais quando tocarmos no assunto de João, mais no final da semana, no primeiro capítulo de Apocalipse nós temos um quadro magnífico: “Cristo glorificado”, na visão de João. João descreve desde os cabelos, alvos como a neve, até os seus pés como bronze polido. Cada item mostrando algo da glória desse varão, medida de Deus. Ele é o varão aprovado por Deus. Ele é o varão pelo qual Deus mede e medirá todas as coisas do universo. Então João o descreve. Quando nós vamos ao capítulo 2 e 3 de Apocalipse, o que nós temos? Sete assembleias. Por quê? “Porque a hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se há de vir por nós, que será daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (I Pe 4:17) Então no capítulo 1 nós temos Jesus Cristo, na visão de João, em Sua glória ascenso. No capítulo 2 e no capítulo 3, sete assembleias. E sabe irmão, tente fazer um quadro na sua mente: o que temos ali? É uma assembleia após outra em fila indiana, e eles vão se apresentando diante dAquele que é o varão, medida de Deus. Então, a primeira assembleia que se apresenta é Éfeso. Quando Éfeso se apresenta aos pés do Senhor, esse varão medida, Ele vai então medi-la. E Ele mede de um modo tão justo! Ele diz: “Eu te louvo porque em ti há labor, porque em ti há perseverança, porque em ti há discernimento espiritual. Provaste falsos apóstolos e os achastes mentirosos. Mas tenho contra ti que abandonaste o teu melhor amor”- a primazia do teu amor.” O Senhor está medindo uma a uma daquelas assembleias de acordo com o Seu próprio caráter. Ele não busca naquelas assembleias nada mais do que Ele próprio é para elas. “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que (Ele, o Consolador) há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” Se a assembleia em Éfeso falhava no amor, não era porque o seu Senhor não era amor, mas porque ela não soube permanecer no Seu amor. Tudo o que o Senhor busca em cada uma das assembleias dele é aquilo que Ele próprio é. Ele não pode buscar o que Ele não é. As assembleias não são luz, essencialmente falando; as assembleias são candeeiros. Cristo é a luz. Então, o que Ele busca nos seus candeeiros? A Si próprio, porque Ele é a luz. Então em Éfeso, Eles busca amor, Ele reivindica amor, Ele faz essa demanda porque Ele é amor. Em Esmirna, Ele busca fidelidade. “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida.” Por que Ele busca fidelidade na assembleia de Esmirna? Porque Ele é a fiel testemunha. Ele não busca nada em Esmirna que Ele não seja para Esmirna. Compreendeu isso irmão? Quando Ele se revela a Pérgamo, a próxima assembleia, Ele se revela como Aquele que tem na boca uma espada afiada de dois gumes. Por quê? Livro de Hebreus, capítulo 4, verso 12, diz que essa espada é para separar, é para dividir alma de espírito, juntas e medulas; o que é carnal, do que é espiritual, o que é terreno, do que é celestial. E Pérgamo era uma assembleia misturada. O que faltava em Pérgamo era separação ou santidade. Por que o Senhor busca santidade em Pérgamo? Porque Ele é o Santo de Deus. E assim nós vamos por todas elas. Quando Ele escreve a Sardes, o que Ele está buscando em Sardes? “Tens nome de que vives, mas estás morto.” “Ele é a ressurreição e a vida.” “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.” Então Ele não busca nada em Sardes que Ele próprio não seja para Sardes, e o que faltava em Sardes era vida. Nas sete assembleias o Senhor apenas busca e reivindica aquilo que Ele próprio é. Ele é o varão, medida de Deus. Essa é a segunda consideração preliminar. A terceira e última antes de entrarmos então diretamente no tema. Se as duas coisas que colocamos são verdades, então a terceira é uma consequência também das duas primeiras. Liderança espiritual é simplesmente a nossa cooperação com o Espírito Santo neste Seu compromisso e atividade. Liderança espiritual é nossa cooperação com esse Líder ( com ‘L’ maiúsculo), o Consolador, o Obreiro de Deus (com o ‘O’ maiúsculo), o Espírito Santo. Nesse que é o seu compromisso e a sua atividade quais sejam: Encher todas as coisas com Cristo e encher Cristo com todas as coisas. Então o que é liderança espiritual? É termos o privilégio de nos postarmos como cooperadores de Deus, chamados por Ele,  “Não fostes vós que escolhestes a mim, eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis muito fruto e o vosso fruto permaneça.” (Jo 15:16) Liderança espiritual é a nossa cooperação com o Espírito Santo no Seu compromisso e na sua atividade de encher Cristo com todas as coisas e todas as coisas com Cristo. Agora irmão, decorrente dessa colocação, se então nós nos achegarmos a Deus, diante do privilégio que temos de sermos os Seus cooperadores, só há uma alternativa, digamos assim para Deus: Deus terá que tratar conosco! Se nos achegarmos a Deus pra cooperarmos com o Seu propósito, Deus terá que tratar conosco para que a nossa medida de Cristo e a nossa estatura espiritual esteja sempre crescendo. E aqui irmão, há uma advertência tão grande para nós todos, porque se isto não acontecer, então brechas serão proporcionadas para aquele que está interessado em destruir tanto a obra de Deus, quanto os servos de Deus, o diabo. Se Deus não tratar conosco essas brechas serão então proporcionadas para que o inimigo destrua a obra de Deus e até mesmo os seus servos. Então essas são as três primeiras considerações pra levarmos aos pés do Senhor e meditarmos nelas. Nenhum de nós temos nenhuma incumbência se não veio do Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser levantado por ninguém a não ser que seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser equipado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser discipulado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Então João 16, o versículo com o qual abrimos esse tempo diz exatamente isso. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará.” Quem nos guia é nosso Líder. “Ele vos guiará a toda a verdade.” E por que Ele tem essa capacidade? Ah! Quanta aplicação preciosa há nesse versículo quando nós transportamos isso para ministério espiritual. Porque esse é ministério do Espírito Santo. Então é dito que esse espírito da verdade, Ele que é o “Líder de Deus” (no sentido, ‘proveniente dEle’)*, Ele vos guiará, e vos guiará a toda a verdade revelando-nos mais das belezas, glória, suficiência de nosso Senhor Jesus. “Ele vos guiará a toda a verdade.” Por quê? Leia de novo com atenção: “Porque Ele não falará por si mesmo.” Percebeu essa nota aí, irmão? Quanto ela é exortativa para nós? Se o nosso ministério confere com o ministério do Espírito Santo, se é o próprio ministério do Espírito Santo que tem encontrado vasos adequados por Sua graça, vasos que Ele mesmo tem forjado, então esses vasos não podem, não devem falar por si mesmos. Quão exortativa é essa colocação pra nós. Não somos pregadores de ideias, de interpretações bíblicas, de doutrinas particulares. “Não falará por si mesmo”. Nós não devemos achar isso ou achar aquilo. Nós não fomos chamados para pregar a nós mesmos, experiências, testemunhos... “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus”, Paulo escreveu assim aos Coríntios (II Co 4:5). Então o Espírito Santo guiaria os que pertencem ao Senhor, como Ele disse, aos Seus nesse discurso de João 16, “a toda a verdade”, porque Ele não falaria por Si mesmo, mas Ele diria tudo o que tivesse ouvido. Aí temos um outro elemento importantíssimo nesse versículo. Como nosso querido irmão nos lembrava ontem à noite, se o que chamamos de ministério ao Senhor e à Sua casa, se baseia em ocasiões em que somos visíveis, então nós somos fracassados. Oséias capítulo 14, verso 5, um lindo verso, mostrando como se cresce na casa de Deus, e como nós podemos pela graça do Senhor nos tornar mais e mais responsivos à forma e os limites como Ele quer nos usar. Aquele verso tão lindo e tão gráfico, o Senhor diz assim à Israel pela boca de Oséias, (Os 14:5) “Eu serei para com Israel como orvalho”, Deus a Fonte da vida. Sem o orvalho, nada de vida na terra. “Eu serei para com Israel como orvalho”. Agora, o que Israel será para o Senhor? Veja o que Ele diz: “E ele crescerá como o lírio e lançará suas raízes como o cedro do Líbano.” Essa é uma planta que não existe nos catálogos botânicos. Da terra pra cima ela tem a aparência de um lírio, da terra pra baixo, grossas raízes do cedro.  Da terra pra cima, uma vida de fé simples e despretensiosa: lírio. Mas, da terra pra baixo, grossas raízes do cedro. Você sabe que segundo os estudiosos, esse cedro pode alcançar até cento e vinte metros de raízes. Ninguém derruba um cedro, mas quando se olha esse cedro da terra pra cima, um lírio frágil que fenece. Como o nosso querido irmão Stephen Kaung disse certa vez: A vida espiritual e o serviço espiritual são naturalmente sobrenaturais, sobrenaturalmente naturais. Então queridos irmãos, se nós não temos tido para com o Senhor esses ouvidos (João 16:13), então nós não temos serviço nenhum a oferecermos nem a Ele, e nem à sua casa. Quando o sacerdote foi ungido, Levítico capítulo 8, o primeiro lugar onde aquela unção, aquele óleo era aplicado, era nos seus ouvidos. A partir daí, na sua orelha direita, a partir daí era aplicado no polegar da sua mão direita e, posteriormente em seguida, no polegar do seu pé direito. Que isto nos fala? Não podemos nos envolver, colocar nossa mão em nada que nós tenhamos ouvido da parte do Senhor. E da mesma maneira com relação aos pés. Não podemos caminhar com nada e nem com ninguém, que de alguma forma não nos tenha sido conduzido e aprovado pelo Senhor da obra. Ouvidos, mãos e pés... (continuação através do áudio da pregação)



*Observação pelo editor do blog.
                                                   
Transcrição: Levi Cândido

04 outubro, 2017

Mortificação (J. I. Packer)


 (Parte 1)


O crente está empenhado em uma luta, que perdura sua vida inteira, contra o mundo, a carne e o diabo. A mortificação é sua investida contra o segundo desses adversários. Dois textos paulinos mostram que se trata de um ingrediente essencial à vida cristã: "Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena" (Cl 3.5). "Se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis" (Rm 8.13). Cada um desses textos usa um verbo diferente, no original grego, embora sejam sinônimos. No segundo texto, o verbo está no presente, dando a entender que a mortificação deve ser contínua (Se... continuardes a mortificação... vivereis). No primeiro texto, o verbo está no aoristo, implicando que a mortificação, uma vez iniciada, se completará com bom êxito.
O primeiro dos dois textos diz-nos que o privilégio cristão torna a mortificação obrigatória. Paulo argumenta, em Colossenses 3.1-5, que visto sermos participantes da vida ressurreta de Cristo, cidadãos dos céus cujas expectativas estão nas regiões celestes, não mais filhos da ira, mas filhos de Deus e herdeiros da glória, devemos conduzir-nos convenientemente com nossa posição; precisamos ser o que somos hoje, não o que éramos outrora. Portanto, "fazei... morrer a vossa natureza terrena" (Cl 3.5). O segundo texto informa-nos que a mortificação é necessária como meio para chegarmos a um fim. Ela é o caminho para a "vida", para o bem-estar espiritual neste mundo e para a glória com Cristo, no mundo vindouro. A mortificação não compra para nós a vida eterna (Cristo já fez isso por nós), mas faz parte da "operosidade da vossa fé" (1Ts 1.3), por meio da qual adquirimos e mantemos o dom gratuito de Cristo (cf. 1Tm 6.12; Fp 3.12-14). Ela é uma daquelas "obras" sem as quais a "fé" a profissão de fé é "morta" (Tg 2.26). O argumento de Paulo pode ser expandido assim: Se quisermos assegurar a nossa chamada e a nossa eleição, por mostrar que a nossa fé é autêntica, se quisermos correr de tal modo a alcançar e viajar de modo a chegar, então devemos mortificar o pecado. Observou seriamente John Owen: ''Aquele que, em seu caminho, não aniquila o pecado, não está dando passos em direção ao final de sua jornada''.
A evidente importância desse assunto faz parecer lamentável e estranha a duradoura negligência dos crentes para com o mesmo. As causas dessa negligência talvez incluam a aversão dos evangélicos ao externalismo da tradicional mortificação católica romana (vestir cilício, ficar horas mergulhado em água gelada e coisas dessa natureza), na qual o objeto de ataque parece ser o corpo, e não o pecado residente na alma. E a censura de Colossenses 2.23 obviamente aplica-se aos tais. Porém, uma causa mais profunda dessa negligência é a superficialidade da compreensão e da experiência cristã em nossa época. Visto que conhecemos tão pouco a Deus e que, por isso, dificilmente conhecemos a nós mesmos, e visto que a maioria de nós pensa que o autoexame é algo ultrapassado e mórbido, dificilmente temos consciência do pecado no íntimo.
Há uma antiga comédia na qual um leão fugitivo toma o lugar de um cão peludo, ao lado de uma poltrona. O cômico, afetuosamente, passa os dedos pela juba do leão por diversas vezes, antes de notar que, conforme costumamos dizer, ele tinha um problema nas mãos. Agimos desse modo, no tocante aos nossos hábitos pecaminosos. Tratamo-los como amigos, não como assassinos, e jamais suspeitamos como o pecado, quando permitido no íntimo, debilita e enfraquece o crente.
Isso, podemos temer, é porque somos vítimas do pecado, sem sabermos o que realmente significa estarmos vivos em nosso relacionamento com Deus, tal como as crianças aleijadas de nascença nunca sabem o que é correr livremente, ato muito diferente de manquejar. Tal é o merecido castigo de nossa atual negligência quanto à mortificação.
Assim sendo, a mortificação é um tema sobre o qual parece não haver qualquer tratamento contemporâneo de valor em evidência. Se quisermos ajuda, para melhor entendermos o ensino bíblico sobre este assunto, devemos voltar aos escritos dos grandes Puritanos do século XVII, "uma época", escreveu o bispo J. C. Ryle "em que, sou forçado a dizer, a religião experimental era mais profundamente estudada e muito melhor compreendida do que atualmente". As obras mais úteis sobre esse o tema são as de John Owen, que Spurgeon chamou de "o príncipe dos teólogos". Essas obras são: The Nature, Power, Deceit, and Prevalency of the Remainders of lndwelling Sin in Believers - A Natureza, o Poder, o Engano e a Providência das Reminiscências do Pecado que Habita nos Crentes e a seção sobre a "Mortificação" (Livro 4, capítulo 8), em A Discourse Concerning the Holy Spirit Um Discurso Acerca do Espírito Santo (Works, W. Goold, vols. 6 e 3). Este escritor sente-se na obrigação de dizer que deve a esses tratados, com títulos assustadores, não meramente grande parte do material deste estudo, mas quase toda a luz que tem recebido sobre os temas envolvidos neste estudo.

Mortificação é guerra...

13 agosto, 2017

AS DEZ VIRGENS (C.H.MACKINTOSH)


Abordaremos agora esta solene parte do
discurso de nosso Senhor no qual Ele
apresenta o reino dos céus comparado a
"dez virgens". O ensino contido nesta
parábola tão interessante e significativa é
de uma aplicação mais ampla do que a do
servo à qual já nos referimos,
considerando que ela aborda todo o
espectro da profissão cristã e não fica
restrita ao ministério, seja ele dentro ou
fora da casa. Ela se relaciona direta e
explicitamente à profissão cristã, tanto a
falsa como a verdadeira.
"Então o reino dos céus será semelhante a
dez virgens que, tomando as suas
lâmpadas, saíram ao encontro do esposo".
Há quem acredite que esta parábola
refira-se ao remanescente judeu, mas não
parece ser esta a ideia que ela dá, tanto
pelo contexto no qual ocorre, quanto
pelos termos nela utilizados.
No que diz respeito ao contexto como
um todo, quanto mais de perto nós a
examinarmos, mais claramente veremos
que a porção judaica do discurso termina
com Mateus 24:44. Isto é algo tão claro
que descarta qualquer questão.
Igualmente distinta é a porção cristã, que
se estende, como vimos, de Mateus 24:45
a Mateus 25:30, enquanto de Mateus 25:31
ao final temos os gentios. Tamanha
ordem e plenitude encontradas neste
maravilhoso discurso deve tocar todo
leitor atento. Ele apresenta o judeu, o
cristão e o gentio, cada um em seu
terreno distinto e em conformidade com
seus próprios princípios. Não há uma
mistura de uma coisa com outra, não há
confusão de coisas que diferem. Em
suma, a ordem, a plenitude e a
abrangência deste profundo discurso são
coisas divinas que enchem a alma de
"assombro, amor e adoração". Depois de
estudá-lo, só podemos fazer nossas, em
uníssono, as palavras do apóstolo que
disse: "Ó profundidade das riquezas,
tanto da sabedoria, como da ciência de
Deus! Quão insondáveis são os Seus
juízos, e quão inescrutáveis os Seus
caminhos!"
E então, quando examinamos os termos
exatos utilizados por nosso Senhor na
parábola das dez virgens, acabamos
percebendo que esta não se aplica a
judeus, mas a cristãos professos — aplicase
a nós. Proclama e ensina uma solene
lição ao escritor e também ao leitor destas
linhas.
Vamos, então, aplicar nosso coração à sua
leitura.
"Então o reino dos céus será semelhante a
dez virgens que, tomando as suas
lâmpadas, saíram ao encontro do esposo".
O cristianismo primitivo era
especialmente caracterizado pelo fato
aqui indicado, a saber, de aguardar pelo
ansiado encontro com um Noivo que
voltaria. Os primeiros cristãos foram
levados a se desligar das coisas presentes e
a saírem, de mente e coração, ao encontro
do Salvador que amavam e pelo qual
aguardavam. Não se tratava,
evidentemente, de sair de um lugar para
outro; não era uma questão de lugar, mas
algo moral e espiritual. Era uma saída de
coração, ao encontro de um amado
Salvador cujo retorno era ansiosamente
aguardado, dia após dia.
É impossível ler as epístolas dirigidas às
diversas igrejas sem perceber que a
esperança da eminente e segura volta do
Senhor governava os corações de Seu
amado povo nos primeiros dias. Eles
esperavam pelo Filho vindo do céu.
Sabiam que Ele viria para levá-los, para
estarem Consigo para sempre, e o
conhecimento e poder dessa esperança
tinha o efeito de desligar seus corações
das coisas presentes. Sua esperança, viva e
celestial, acabou por torná-los
indiferentes às coisas deste mundo. Eles
esperavam pelo Salvador. Acreditavam
que Ele poderia vir a qualquer momento
e, por isso, as obrigações desta vida
acabavam sendo tão somente assumidas e
atendidas para o momento — sem dúvida
alguma atendidas de forma completa e
adequada — mas apenas no caráter
transitório que tinham, enquanto viviam
em grande expectativa.
Tudo isso é comunicado ao nosso
coração, de forma breve, porém clara,
pela expressão: "Saíram ao encontro do
esposo". Não há como conscientemente
aplicar isto ao remanescente judeu, ainda
mais sabendo que eles não sairão ao
encontro de seu Messias, mas, ao
contrário, permanecerão em sua posição
ou em meio às circunstâncias até que Ele
venha e coloque Seu pé no Monte das
Oliveiras. Eles não aguardarão pela vinda
do Senhor para levá-los embora desta
terra para estarem com Ele no céu, mas
Ele virá para trazer-lhes libertação em sua
própria terra, e para fazê-los feliz ali
mesmo, sob Seu próprio reino pacífico e
bendito durante o milênio.
Porém o chamado feito aos cristãos foi
para "saírem". Espera-se deles que
estejam sempre de mudança; que não se
acomodem no mundo, mas que estejam
de saída em uma sincera e santa
expectativa pela glória celestial para a
qual são chamados, e pelo Noivo celestial
com Quem estão desposados, e cujo
breve advento são ensinados a aguardar.
Tal é a ideia verdadeira, divina e normal
para a condição e atitude esperadas de um
cristão. E uma ideia tão terna era
maravilhosamente entendida e colocada
em prática pelos primeiros cristãos. Mas,
oh!, somos lembrados de que, na
cristandade estamos diante tanto do que é
genuíno como daquilo que é falso. Há o
"joio" e há também o "trigo" no reino
dos céus, portanto lemos acerca destas
dez virgens que "cinco delas eram
prudentes, e cinco loucas". No
cristianismo professo existe o verdadeiro
e o falso, o genuíno e a imitação, o real e
o ilusório.
Sim, e isto deve continuar até o tempo do
fim, até que o Noivo venha. O joio não é
convertido em trigo, tampouco as virgens
loucas transformadas em prudentes. Não,
jamais. O joio irá queimar e as virgens
loucas serão deixadas do lado de fora. Até
aqui, pelo que vemos de um aparente
progresso levado a efeito pelos meios
hoje em operação — a pregação do
evangelho e as diversas organizações
beneficentes funcionando em todo o
mundo — percebemos, graças a todas as
parábolas e ao ensino de todo o Novo
Testamento, que o reino dos céus se
revela como uma mescla de mal das mais
deploráveis. Trata-se de um processo que
corrompe, uma repugnante adulteração
da obra de Deus engendrada pelo inimigo
e um real progresso do mal em princípio,
profissão e prática.
E tudo isso seguirá até o fim. As virgens
loucas são vistas quando surge o Noivo.
De onde viriam, se fosse correta a ideia de
que todos deverão se converter antes da
vinda do Senhor? Se todos forem levados
ao conhecimento do Senhor pelos meios
hoje utilizados, então como explicar a
existência do mesmo número de virgens
loucas e sábias nessa ocasião?
Mas talvez alguém alegue que isto não
passa de uma parábola, uma figura.
Certamente, mas figura de quê?
Certamente não de um mundo inteiro
convertido. Afirmar isto seria ofender o
volume sagrado e tratar o solene ensino
de nosso Senhor de um modo tal que não
ousaríamos tratar nem mesmo o ensino
de um mero mortal.
Não, leitor, a parábola das dez virgens
ensina, sem dúvida alguma, que quando o
Noivo vier entrarão em cena as virgens
loucas e, evidentemente, se existirem as
virgens loucas é porque elas não terão
sido previamente convertidas. Até uma
criança é capaz de entender isto. Não
conseguimos enxergar como seria
possível, levando-se em consideração esta
parábola, manter a teoria de um mundo
convertido antes da vinda do Noivo.
Mas vamos examinar um pouco mais de
perto estas virgens loucas. Sua história é
cheia de admoestações para todos os que
professam ser cristãos. Trata-se de algo
muito sutil, mas de uma abrangência
impressionante. "As loucas, tomando as
suas lâmpadas, não levaram azeite
consigo". Existe a profissão exterior, mas
não uma realidade interior — nenhuma
vida espiritual — nenhuma unção —
nenhuma ligação vital com a fonte de vida
eterna — nenhuma união com Cristo.
Nada além da lâmpada da profissão e do
seco pavio de uma crença nominal,
teórica e racional.
Isto é particularmente solene. Lança uma
tremenda responsabilidade sobre aquela
imensa massa de professos batizados que,
neste exato momento, nos rodeia, na qual
existe tanta aparência exterior, porém tão
pouca realidade interior. Todos
professam ser cristãos. A lâmpada da
profissão cristã pode ser vista em todas as
mãos, mas, oh!, quão poucos trazem o
azeite em seus vasos, o espírito de vida
em Cristo Jesus, o Espírito Santo
habitando em seus corações. Sem isto,
tudo é completamente inútil e vão. Pode
haver a mais elevada profissão, pode
existir o mais ortodoxo credo, alguém
pode ser batizado, pode receber a ceia do
Senhor, pode estar regularmente
registrado e ser perfeitamente
reconhecido como membro de uma
comunidade cristã, pode ser um professor
da escola dominical ou um ministro
ordenado por alguma religião. Pode ser
alguém que seja tudo isso e, mesmo
assim, não possuir uma centelha sequer
de vida divina, nem mesmo um raio de
luz celestial, qualquer ligação com o
Cristo de Deus.
Ora, existe algo de particularmente
terrível no pensamento de se ter tão
somente uma medida de religião
suficiente para enganar o coração,
amortecer a consciência e arruinar a alma
— religião suficiente apenas para dar
nome de vivo a quem está morto —
suficiente para deixar alguém sem Cristo,
sem Deus e sem esperança neste mundo;
suficiente para sustentar a alma com uma
falsa confiança, e enchê-la de uma falsa
paz, até que o Noivo venha e, então, os
olhos sejam abertos quando for tarde
demais.
Assim é com as virgens loucas. Elas são
muito parecidas com as prudentes. Um
observador comum talvez não seja capaz
de ver qualquer diferença por algum
tempo. Todas se preparam juntas. Todas
têm lâmpadas. E, além disso, todas
acabam indo descansar e adormecem,
tanto as prudentes como as loucas. Todas
se levantam com o clamor da meia-noite e
preparam suas lâmpadas. Até aqui não
existe uma diferença visível. As virgens
loucas acendem suas lâmpadas — a
lâmpada da profissão cristã é acesa com o
pavio seco de uma fé nominal, teórica e
sem vida. Oh! tudo em vão — pior do
que em vão, um engano fatal para a
destruição da alma.
Aqui surge a grande diferença — a bem
definida linha de demarcação — com
uma clareza terrível, sim, apavorante. "E
as loucas disseram às prudentes: Dai-nos
do vosso azeite, porque as nossas
lâmpadas se apagam". Isso prova que suas
lâmpadas estavam acesas, pois se não
estivessem acesas não poderiam se apagar.
Mas era apenas uma luz falsa, tremulante
e passageira. Não era alimentada pela
divina fonte. Era a luz da mera profissão
dos lábios, alimentada por uma crença
racional, com duração apenas suficiente
para enganar a si mesmas e a outros, e
apagar bem na hora em que mais
precisavam dela, deixando-as nas terríveis
trevas da noite eterna.
"Nossas lâmpadas se apagam". Terrível
descoberta! "Aí vem o esposo, e nossas
lâmpadas se apagam. Nossa vã profissão
cristã está sendo revelada pela luz de Sua
vinda. Pensamos que estava tudo em
ordem. Professamos a mesma fé, tivemos
o mesmo tipo de lâmpada, o mesmo tipo
de pavio; mas, oh! agora descobrimos,
para horror nosso, que nos enganamos a
nós mesmas, que não temos aquilo que é
necessário, o espírito de vida em Cristo, a
unção do Santo, a ligação viva com o
Noivo. O que faremos? Oh, virgens
prudentes, tenham pena de nós e
compartilhem conosco seu azeite. Façam
isso, por misericórdia, compartilhem um
pouco conosco, nem que seja uma gota
dessa coisa tão essencial, para não
perecermos para sempre".
Oh, tudo em vão. Nenhuma delas pode
compartilhar este azeite com outra. Cada
uma possui o suficiente para si. Além do
mais, ele só pode ser recebido do próprio
Deus. Um homem pode dar luz, mas não
pode dar o azeite. Este é uma dádiva que
provém somente de Deus. "Mas as
prudentes responderam, dizendo: Não
seja caso que nos falte a nós e a vós, ide
antes aos que o vendem, e comprai-o para
vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou
o esposo, e as que estavam preparadas
entraram com ele para as bodas, e fechou-se
a porta". De nada adianta buscar por
amigos cristãos que nos ajudem ou que
nos deem suporte. De nada adianta correr
de um lado para o outro procurando
alguém em quem se apoiar — algum
santo, ou algum eminente mestre — de
nada adianta buscar apoio em nossa
Igreja, ou em nosso credo, ou em nossos
sacramentos. Queremos azeite. Não
podemos viver sem ele. Onde encontrálo?
Não no homem, ou na Igreja, ou nos
santos, ou nos pais. Devemos obtê-lo de
Deus; e Ele, bendito seja o Seu nome, o
dá graciosamente. "O dom gratuito de
Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus
nosso Senhor".
Mas, repare bem, trata-se de algo
individual. Cada um deve tê-lo para si
mesmo. Ninguém pode crer, ou obter
vida para outro. Cada um deve tratar
disso pessoalmente com Deus. A ligação
que faz a conexão da alma com Cristo é
algo completamente individual. Não
existe algo como uma fé de segunda mão.
Uma pessoa pode nos ensinar religião,
teologia ou a letra das Escrituras, mas não
pode nos dar o azeite; não pode nos dar
fé; não pode nos dar vida. "É dom de
Deus". Que pequena e preciosa palavra,
"dom". É como Deus. É tão gratuito
quanto o ar de Deus; gratuito como Seus
raios solares; gratuita como Suas
refrescantes gotas de orvalho. Mas,
repetimos e com solene ênfase, cada um
deve obtê-lo para si mesmo e tê-lo em si
mesmo. "Nenhum deles de modo algum
pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o
resgate dele (pois a redenção da sua alma
é caríssima, e cessará para sempre), para
que viva para sempre, e não veja
corrupção" (Sl 49:7-9).
Leitor, o que você diz destas solenes
realidades. Você é uma virgem louca ou
prudente? Você já obteve vida em um
Salvador ressuscitado e glorificado? Você
é um mero professo de uma religião,
satisfeito com a mera rotina comum e
sem vida de ir à igreja, possuindo apenas
um pouco de religião que o torne alguém
respeitável neste mundo, mas não o
suficiente para ligá-lo com o céu?
Insistimos sinceramente com você para
que pense seriamente nestas coisas. Pense
nelas agora. Pense no indescritível horror
de descobrir que sua lâmpada da mera
profissão cristã está se apagando e
deixando você em densas trevas — trevas
palpáveis — as trevas exteriores de uma
noite eterna. Quão terrível será descobrir
que a porta foi fechada antes que você
pudesse embarcar rumo às núpcias; foi
fechada na sua cara! Que lamento de
agonia, "Senhor, Senhor, abre-nos!" Que
contundente e esmagadora resposta: "Em
verdade vos digo que vos não conheço".
Oh, querido amigo, dê a estas solenes
palavras um lugar em seu coração agora
mesmo, enquanto a porta ainda está
aberta, enquanto o dia da graça se estende
pela maravilhosa paciência de Deus. Está
chegando rapidamente aquele momento
quando a porta de misericórdia será
fechada para você para sempre, quando
toda esperança acabará e sua preciosa
alma será precipitada em um sombrio e
eterno desespero. Que o Espírito de Deus
possa tirá-lo de seu sono fatal e não
permita que você descanse até encontrar
o verdadeiro repouso na obra completa
do Senhor Jesus Cristo e nos Seus
benditos pés, em devota adoração.
Devemos agora encerrar este texto, mas
antes de fazê-lo gostaríamos de, por um
momento, dar uma olhada nas virgens
prudentes. De acordo com o ensino desta
parábola, a grande característica que as
distingue e as separa das virgens loucas é
que, logo de início, elas "levaram azeite
em suas vasilhas, com as suas lâmpadas".
Em outras palavras, o que distingue os
verdadeiros crentes daqueles que
meramente professam é que os primeiros
têm em seus corações a graça do Espírito
Santo de Deus; eles têm o espírito de vida
em Cristo Jesus e o Espírito Santo
habitando neles como o selo, o penhor, a
unção e o testemunho. Este grande e
glorioso fato caracteriza hoje todos os
verdadeiros crentes no Senhor Jesus
Cristo — um fato estupendo,
maravilhoso, com toda certeza — um
imenso e inefável privilégio que deveria
sempre curvar nossa alma em santa
adoração diante de nosso Deus e de nosso
Senhor Jesus Cristo, cuja redenção já
consumada nos garantiu tão grande
bênção.
Quão triste é pensar que, apesar deste
privilégio tão santo e elevado, somos
obrigados a ler, como mostram as
palavras de nossa parábola:
"Tosquenejaram todas, e adormeceram!".
Todas igualmente, tanto as prudentes
quanto as loucas, adormeceram. O Noivo
tardou em vir, e todas, sem exceção,
perderam o frescor, o fervor e o poder da
esperança da Sua vinda, e adormeceram.
É isto que declara nossa parábola, e é este
o solene fato da história. Todo o corpo
professo adormeceu. A bendita esperança
que brilhou com tanto fulgor no
horizonte dos primeiros cristãos, se
desvaneceu com muita rapidez. E
enquanto perscrutamos as páginas da
história da Igreja durante dezoito séculos,
desde os Pais Apostólicos ao início do
presente século, em vão buscamos por
alguma referência clara à esperança
específica da Igreja — a volta pessoal do
bendito Noivo. Na verdade, aquela
esperança foi virtualmente perdida pela
Igreja, e não apenas isto, mas hoje é quase
uma heresia ensiná-la e, nestes últimos
dias, centenas de milhares de ministros
que professam a Cristo não ousam pregar
ou ensinar sobre a vinda do Senhor
conforme o ensino das Escrituras.
É verdade, bendito seja Deus, que uma
grande mudança aconteceu no último
século. Houve então um grande
despertamento. Deus, por meio do Seu
Espírito Santo, voltou a chamar a atenção
de Seu povo para verdades há muito
esquecidas e, entre elas, a gloriosa verdade
da vinda do Noivo. Muito então
perceberam que a razão da demora do
Noivo se devia simplesmente à paciência
de Deus para conosco, pois Ele não quer
que nenhum pereça, mas que todos
venham a se arrepender. Precioso motivo!
Mas eles também viram que, apesar dessa
paciência, nosso Senhor está próximo.
Cristo vem. O clamor da meia-noite já foi
ouvido: "Aí vem o esposo, saí-lhe ao
encontro". Muitos milhões de vozes
ecoam esse clamor tão comovente, até
que ele alcance, em seu poder moral, de
um polo a outro, "desde o rio do Egito"
aos confins da terra, conclamando toda a
Igreja a esperar — todos juntos — pela
gloriosa vinda do Noivo que é tão
bendito aos nossos corações.
Amados irmãos no Senhor, despertem!
Que cada alma seja despertada. Vamos
deixar de lado a indolência do conforto
mundano e da satisfação própria —
vamos nos colocar acima da debilitante
influência do formalismo religioso e da
tediosa rotina — vamos jogar de lado os
dogmas da falsa teologia e sair, com
vontade e na afeição do coração, ao
encontro de nosso Noivo que está
chegando. Que estas solenes palavras
atinjam nossa alma com revigorado
poder: "Vigiai, pois, porque não sabeis o
dia nem a hora". Que a resposta de nossa
vida e coração seja: "Ora vem, Senhor
Jesus".
Sinistra é a fonte do mal que hoje passa;
Despertai, ó santos, vós filhos da graça;
Buscai os perdidos com fé destemida,
Sabendo o preço da cruz e sua lida.
Cantai, inspirados, do amor sem medida,
Enquanto aguardamos, ao céu, a subida
— Que pode ser hoje, oh doce certeza! —
Com lombos cingidos e a luz sempre acesa.

08 junho, 2017

A VISÃO DO TEMPLO DE EZEQUIEL - RESUMO (THEODORE AUSTIN-SPARKS)



Eu devo dizer aqui que eu tive um profundo exercício diante do Senhor essa manha, e senti que deveria colocar pra fora todas essas coisas, e livrar-me desse aglomerado de material, e perguntar ao Senhor agora, “O que é isso que o Senhor quer me dizer? O que o Senhor quer que essas pessoas saibam?” E aqui estão algumas das coisas que Ele tem definitivamente posto em meu coração para falar a vocês.

Admoestação concernente à tentativa de “montar a igreja” ou “praticar a Igreja”

“Tem uma coisa que eu e você devemos ser bem cuidadosos em evitar, e isso trata-se de resolver as coisas espirituais num sistema técnico, de ser levado pelas técnicas da casa de Deus. Esse é um grande perigo e eu quero enfatizar isso essa manha.  Aqui esta essa grande quantidade de material e detalhes todos juntos além da nossa capacidade de segurar. Se tivéssemos que resolver isso com um mero sistema técnico, nos poderíamos facilmente destruir a vida”. [...]
“Especialmente aqueles que têm responsabilidade esteja atento a esse perigo. Seria muito fácil para essa bela obra que Deus esta fazendo se tornar apenas um sistema técnico. Você pode ter todas as regras e todos os princípios e perder a vida. Estou quase claro que vocês me permitirão dizer isso para vocês. Esse é um perigo que eu tenho lutado por muitos anos. Esse tem sido meu alvo principal, tentar evitar isso. Nós não queremos ver pessoas saindo por ai dizendo “isso deve ser feito dessa maneira, é assim que eles fazem em Taipei e nessa outra cidade”. Espero que o Senhor nos livre disso. Você não pode simplesmente colocar as pessoas num sistema e fazê-las viver. Tenho quase certeza que vocês veem a importância disso”. [...]

A Casa de Deus e a Lei da Casa de Deus é Santidade - 13:29-18:29

“Ha uma lei na casa, Deus é bem particular em coisas pequenas. Cada pequena coisa tem sua própria medida; é uma medida que é dada por Deus. Você não tem permissão de fazer isso menor ou maior. Aquilo deve expressar exatamente a mente do Senhor”. [...]
“Na visão da Casa de Deus não é apresentado um sistema, Ele não estava apresentando uma organização, Ele estava apresentando uma pessoa; essa é a pessoa do Seu filho; essa é uma casa espiritual, não um sistema de verdade.” [...]
“A Lei dessa casa é santidade de vida”

A Casa de Deus, A Igreja e nossa percepção –

“Nós devemos ser muito cuidadosos para não tornar Cristo, ou Sua igreja, menor do ela realmente é. Nós não podemos tornar Cristo menor do que Deus o fez. Não podemos torná-Lo apenas o nosso Cristo, nosso pequeno Cristo, o Cristo que pertence a nos, O Cristo da nossa localidade. Temos que ser bastante cuidadosos para não tornar Cristo menor do que Deus o fez e não devemos fazer a igreja menor do que Deus a faz. Isso não é nossa pequena igreja, não é a pequena igreja de pessoa alguma. Isso é muito maior do que nossos pensamentos, vai muito além da nossa imaginação. Isso é um grandioso Cristo e uma grandiosa igreja. Aqui novamente devemos nos guardar contra os perigos: esse é o perigo sempre presente de reduzir o tamanho de Cristo e da Igreja.”

Primeiro aspecto da Casa de Deus – Gloria com santidade -

“O que traz valor é isso: que a real compreensão da igreja nos fará maior e não menores. Não tem nada que nos salvará mais ‘da pequenez’ do que a verdadeira compreensão de Cristo. Se nós nos tornamos pequenos ou se a obra se torna pequena em sua mente, então, não tem compreensão de Cristo”. [...]
“Primeiro de tudo, é o lugar da glória de Deus” [...]
“Essa casa é a casa da glória de Deus, e você nota que todos os setenta versículos lidos dizem que a glória é a glória de santidade, não é apenas algo resplandecente, é uma condição espiritual. Nenhuma mácula tem espaço aqui. Nenhum corpo morto tem espaço aqui. Não há morte ou corrupção aqui: a Glória é a Glória de santidade. Onde corrupção e morte foram removidas. Lembre-se que a Glória depende da condição espiritual... ela depende da santidade.”

Segundo aspecto da Casa de Deus – Governo e Liderança -

“Lembre-se que essa é uma casa celestial, a sede do seu governo não é uma igreja na terra, ainda que esteja em Roma ou qualquer outro lugar. A sede do Seu trono é no Céu.” [...]
“Nós realmente só estamos debaixo desse governo de Deus quando nós estamos numa posição celestial.” [...]
“Bem, o que nós temos no livro de Atos coloca isso claramente diante de nó. Lá a igreja está debaixo do governo dos céus e é uma igreja muito eficaz. Quando a igreja está debaixo do governo humano ela perde sua eficácia. O governo requer uma posição celestial”. [...]
“O governo dessa casa é o governo do Espírito Santo. O Espírito Santo usa os homens. Ele deverá escolher os que serão chamados presbíteros. Mas tem uma grande diferença entre oficial e espiritual. Você pode ser o que é chamado de presbítero oficialmente e não ser um espiritualmente. Se você é um presbítero espiritualmente, você será compelido a tornar-se oficialmente. Sua medida espiritual será reconhecida e, independentemente de você ser feito um ancião ou não, você será um espiritualmente. O governo, eu estou dizendo, é espiritual. Os homens no Novo Testamento foram descritos como homens cheios do Espírito Santo. Eles eram os apóstolos, eles eram os anciãos, eles eram os diáconos. Há uma coisa que os fez ser o que eram: Homens cheios do Espírito Santo.”

Terceiro Aspecto da Casa de Deus – Testemunho de Vida -

“Essa casa é um canal ou um vaso da vida de Deus. De uma casa como essa flui vida; é a partir disso que a vida flui. Você não tem que começar o fluir de vida, você não tem que fazer essa vida; essa vida vem do manancial. Você não coleta baldes de água e depois tenta jogar pra fora dessa casa. Não tem nada artificial nisso, não tem nada de segunda-mão, não tem nada de coisas feitas por homem nisso.” [...]
“Uma casa onde o Senhor está, a partir daquela casa a vida flui. O testemunho por si só esta naquela vida. João falou, “esse é o testemunho”. Você quer saber o que é o testemunho? O testemunho não é um sistema de doutrinas ou ensinamento. O testemunho não é uma técnica. “Esse é o testemunho que Deus nos deu: a vida eternal, e essa vida está em Seu filho”. O testemunho está na vida e quando o testemunho está em nós, quando a vida está em nós, o testemunho está em nós.” [...]

Theodore Austin-Sparks

01 junho, 2017

Liderança Espiritual: Suas evidências na vida de Paulo, Pedro e João

 Estudo 1
                                                             

(Introdução)

“Vamos abrir nossas Bíblias no Evangelho de João, capítulo 16, verso 13 a 15. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”
Vamos ler novamente a primeira frase do verso 13. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade”. Vamos ainda a um verso mais, na primeira epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo 11, verso 1: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” Ainda na epístola aos Filipenses, capítulo 3, verso 17. (Fp 3:17) “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.” Finalmente, na epístola de Paulo aos Gálatas, capítulo 6, verso 17. “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.”
Conforme foi anunciado previamente, o tema geral desse encontro é ‘liderança espiritual’. A parte específica, o tema específico sob minha responsabilidade é esse assunto da liderança espiritual como visto na vida de Paulo, de Pedro e de João. Antes de abordar diretamente este tema, queridos irmãos e irmãs, penso que existem algumas considerações que penso ser de extrema importância nesse assunto, ‘liderança espiritual’. Nós vamos buscar fazê-las do modo mais objetivo e didático possível. E que o Senhor nos ajude a considerarmos então aos Seus pés esses assuntos. Primeira consideração preliminar de muita importância: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Me permita repetir uma vez mais: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Vamos procurar ilustrar isso com alguns versos da epístola aos Efésios. Os irmãos sabem que no capítulo 1 de Efésios, no verso 23, Paulo disse que Cristo é “Aquele que tudo enche em todas as coisas”. Na mesma epístola, no capítulo 4, verso 10, Paulo disse que Cristo é “Aquele que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas”. Nesses dois versos nós vemos que, por um lado, o compromisso e o ministério do Espírito Santo é encher todas as coisas com Cristo. Pra isso Ele foi enviado, essa é sua missão, esse é o compromisso, essa é a atividade do Espírito Santo: “Encher todas as coisas com Cristo”. Mas também, nós podemos afirmar pela mesma epístola, capítulo 1, verso 10, que a segunda parte ou o segundo aspecto do ministério do Bendito Consolador é “encher Cristo com todas as coisas”. Por um lado, “encher todas as coisas com Cristo”, por outro lado, “encher Cristo com todas as coisas”. Porque como diz o autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 1, no verso 2, “Ele é o herdeiro de todas as coisas”. Então é de extrema importância para nós, podermos até mesmo dizer que esse tópico citado aqui não é uma consideração, mas é um axioma bíblico, em particular neotestamentário, o Espírito Santo foi enviado com um compromisso e baseado nesse compromisso Ele exerce a sua atividade. E qual é? “Encher todas as coisas com Cristo” e “encher Cristo com todas as coisas”. Esse verso 10 do capítulo 1 usa uma palavra certamente conhecida dos irmãos, a palavra ‘convergir’  que aparece apenas duas vezes em todo o Novo Testamento, outra vez em Romanos, traduzida ali na nossa versão em português por ‘resumir’, “resumir em Cristo todas as coisas”, seria esta a ideia da palavra do capítulo 1, verso 10 (Efésios), e ela significa na língua original: ‘resumir’, ‘agrupar’, ‘conectar’ coisas que antes estavam desagrupadas, descordenadas, desconectadas de Cristo, reunir essas coisas, agrupá-las, mas não apenas isso; além de reuní-las e de agrupá-las, coloca-las todas as coisas debaixo de um único Cabeça universal. E nós sabemos, evidentemente, que esse Cabeça universal é Cristo. Então irmãos, essa é a primeira consideração preliminar de imensa ajuda, necessária para compreendermos o que significa ‘liderança espiritual’. Nós sabemos que essa palavra pode ser usada de uma maneira inadequada, de diversas formas. Então compreendermos que, em termos de liderança espiritual, Cristo está exaltado no trono e enviou a partir dali o Seu Espírito Santo pra realizar essa obra de reunir, agrupar e colocar todas as coisas debaixo dEle como único Cabeça, e por outro lado, encher todas as coisas do universo com Cristo, é então de grande importância pra nós e regula o nosso entendimento de liderança espiritual. Em outras palavras, após a morte, ressurreição e ascensão do Senhor, que como Filho de Deus é o Lider, foi Ele quem disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos”, Ele é o Filho de Deus, o Profeta de Deus, o Sacerdote de Deus, o Rei, segundo o coração de Deus, após completar a Sua obra e ascender, Ele envia dos céus, da sua posição exaltada, o Espírito Santo, para então executar essa obra com o qual Ele se comprometeu (a terceira Pessoa do Deus Triúno, o Espírito Santo), que é exatamente reunir todas as coisas e colocá-las debaixo do encabeçamento de Cristo. “Encher Cristo com todas as coisas” e “encher todas as coisas com Cristo”. Então essa é a primeira consideração. A segunda dela é  decorrente da primeira. Se é verdade bíblica o que acabamos de dizer, então, toda obra chamada cristã tem que passar por um crivo e esse crivo é a sua  eficácia em ampliar a medida de Cristo por todo o universo. De novo, vamos colocar de outra maneira: O teste real de toda obra chamada cristã é ampliar a medida de Cristo neste universo. Claro, porque se o Espírito Santo com esse compromisso e com essa atividade, qualquer obra que se chama cristã e seja genuína e autêntica, ela tem uma finalidade e uma única finalidade: Ampliar a medida de Cristo neste universo. Se esta tal obra cristã, seja ela qual for, tenha ela o titulo que tiver, não cumpre esse serviço, então ela não coopera com o trabalho de Deus pelo Espírito Santo. Então essa é a segunda coisa importante. Mas antes de passarmos pra terceira, ainda decorrente dessa, precisamos falar ainda mais sobre essa segunda. O que seria ampliar a medida da plenitude de Cristo nesse universo? Ah, irmãos e irmãs, esse assunto da medida de Cristo é tão relevante que se pela bondade e misericórdia do Senhor nossos olhos forem abertos, nunca mais serviremos ao Senhor da mesma maneira. A medida de Cristo é o centro do interesse do Espírito Santo. Vamos de novo colocar a mesma coisa de outra forma: Tudo o que conta para Deus é Cristo. Nada mais conta para Deus. Tudo que tem valor, tudo que traz satisfação, tudo que traz alegria ao coração de Deus é o Seu próprio Filho. “Este é o meu Filho amado em quem tenho todo o meu contentamento”. Provérbios capítulo 8, a partir do verso 22 até o verso 31, aquela sabedoria ali é personificada. No verso 12 do capítulo 8 diz: “Eu, a Sabedoria, habito com a prudência”, então essa Sabedoria em Provérbios 8 não é um atributo de Deus, porque um atributo não diz: “Eu”, e no versículo 12 a Sabedoria diz: “Eu, a Sabedoria”, então a sabedoria ali é personificada porque se refere Aquele que é a Sabedoria de Deus. Ele, Cristo, “se nos tornou da parte de Deus”, Paulo vai dizer escrevendo aos Corintios, “Sabedoria, e Justiça, e Santificação, e Redenção” (I Co 1:30). E quando aquela Sabedoria personificada é descrita ali em Provérbios 8, é dito dela que ela estava diante do Pai. Desde a fundação do mundo, antes da fundação do mundo, quando as primeiras obras eram executadas, ali estava Eu, diz a Sabedoria, e Eu era as suas delícias – o Filho, delícias do Pai -, Eu era o Seu arquiteto, eu recreava-me perante Ele no Seu mundo habitável, eu encontrava minhas delícias junto aos filhos dos homens.” Que texto mais precioso mostrando nosso Senhor Jesus, a Sabedoria pré-encarnada, Provérbios capítulo 8. Então tudo o que conta para Deus é o Seu Filho. Qualquer obra cristã que não contribua de alguma maneira para ampliar a medida de Cristo está falida. Qualquer obra cristã que chame atenção para si mesma e não para Cristo, está falida. Qualquer obra cristã que assuma o lugar de centralidade, no que se concerne ao eterno propósito de Deus, está falida porque Cristo é o único objeto de interesse de Deus o Pai. Então a medida de Cristo é o teste real de toda a obra cristã. Agora irmãos, me permitam citar apenas duas passagens para nos ajudar nesta consideração tão importante e preliminar para entendermos este assunto tão sério, o tema dessa conferência: Liderança Espiritual. Se você abrir sua Bíblia em Atos 17, no versículo 31, Paulo está concluindo aquele sermão maravilhoso falado aos ouvidos de filósofos epicureus estóicos no areópago em Atenas. (At 17). No versículo 30, o apóstolo Paulo coloca, podemos dizer assim, todos aqueles filósofos em uma cadeira de réu. E de uma maneira muito ousada em Cristo e pelo Espírito Santo, ele diz a eles: “Deus não levou em conta os tempos de vossa ignorância”. E lembre-se que ele está falando ali com a nata da sabedoria grega do momento. “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam”. E preste atenção no verso 31, ele diz assim concluindo o seu sermão: “Porquanto (Deus) estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo” e agora nós temos duas expressões aí notáveis, a primeira é: “em justiça”, já que a preposição aí na língua original é exatamente o “em” que, traduzida para o nosso Português pode ser traduzida como “com”, como é o caso aí da maioria das versões, talvez aqui, “há de julgar o mundo com justiça”, a palavra é “em”, a preposição “em”, na língua original, “em justiça”. Logo na sequência então da frase segue assim: “por meio de um varão”, e aí nós temos de novo a mesma preposição na língua original, o “em” de novo, “em um varão”, que pode ser traduzida  “por meio de”, como está aí. “Por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando dentre os mortos”. Claro que esse varão é o varão aprovado por Deus; nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo diz nesse versículo que Deus vai jugar o mundo não apenas em justiça, mas Deus vai julgar o mundo “em um varão”. O que julgar o mundo em um varão nos diz? Vamos colocar assim: O Senhor Jesus Cristo é a vara, ou o varão, medida de Deus. Ah, irmão, que importante é compreendermos isso. Por quê? Porque Deus irá colocar e já está em certo sentido colocando, começando pela Sua casa, Sua Igreja, “A hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada”, diz o Apóstolo Pedro na sua epístola, então Deus irá trazer todas as coisas do universo, e a Igreja está incluída no que cabe a ela, todas as coisas do universo serão trazidas para serem medidas aos pés deste varão, medida de Deus. Podemos dizer que esse Senhor Jesus, o varão aprovado por Deus, o glorioso Cristo, é esse metro de cem centímetros, esse metro completo de Deus, diante do qual todas as coisas do universo serão medidas. Por isso a colocação que fizemos número dois. Toda obra cristã será testada com relação à medida de sua eficácia em ampliar a medida de Cristo nesse universo, porque Cristo é o varão, medida de Deus. Se nós medíssemos todas as coisas como Deus mede, que diferença isso faria pra nós! Nós não iríamos buscar a quantidade de psicologia que existe numa pregação cristã, nem de autoajuda.  Nós não iríamos testar a obra de Deus pelos seus números, e nem pela sua popularidade. Nós não iríamos medir uma reunião da Igreja no sentido de que ela nos deu mais ou menos conforto, e nossas emoções foram mais ou menos tocadas. Nós iríamos medir todas as coisas, toda palavra, toda pregação, toda obra, toda reunião, todo ministério, todos os relacionamentos pela medida de Cristo. Quanto de Cristo há nesse assunto? Essa é a única pergunta que nós deveríamos fazer. Mas como nós somos impressionados e nos impressionamos com o que não deveríamos impressionar. Mas isso não muda o fato de Deus. A única coisa que conta pra Deus é quanto de Cristo há em determinada pessoa, em determinado relacionamento, em determinado assunto, palavra, pregação, ministério, obra, reunião, louvores e tudo mais. Um texto ainda pra nos ajudar ainda nessa segunda consideração. Já dissemos numa outra vez que aquele quadro que aparece nos primeiros três capítulos de Apocalipse eles são únicos, maravilhosos. Porque no capítulo 1 de Apocalipse, sem entrar em muitos detalhes, pelo menos nesse momento, talvez falaremos um pouco mais quando tocarmos no assunto de João, mais no final da semana, no primeiro capítulo de Apocalipse nós temos um quadro magnífico: “Cristo glorificado”, na visão de João. João descreve desde os cabelos, alvos como a neve, até os seus pés como bronze polido. Cada item mostrando algo da glória desse varão, medida de Deus. Ele é o varão aprovado por Deus. Ele é o varão pelo qual Deus mede e medirá todas as coisas do universo. Então João o descreve. Quando nós vamos ao capítulo 2 e 3 de Apocalipse, o que nós temos? Sete assembleias. Por quê? “Porque a hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se há de vir por nós, que será daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (I Pe 4:17) Então no capítulo 1 nós temos Jesus Cristo, na visão de João, em Sua glória ascenso. No capítulo 2 e no capítulo 3, sete assembleias. E sabe irmão, tente fazer um quadro na sua mente: o que temos ali? É uma assembleia após outra em fila indiana, e eles vão se apresentando diante dAquele que é o varão, medida de Deus. Então, a primeira assembleia que se apresenta é Éfeso. Quando Éfeso se apresenta aos pés do Senhor, esse varão medida, Ele vai então medi-la. E Ele mede de um modo tão justo! Ele diz: “Eu te louvo porque em ti há labor, porque em ti há perseverança, porque em ti há discernimento espiritual. Provaste falsos apóstolos e os achastes mentirosos. Mas tenho contra ti que abandonaste o teu melhor amor”- a primazia do teu amor.” O Senhor está medindo uma a uma daquelas assembleias de acordo com o Seu próprio caráter. Ele não busca naquelas assembleias nada mais do que Ele próprio é para elas. “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que (Ele, o Consolador) há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” Se a assembleia em Éfeso falhava no amor, não era porque o seu Senhor não era amor, mas porque ela não soube permanecer no Seu amor. Tudo o que o Senhor busca em cada uma das assembleias dele é aquilo que Ele próprio é. Ele não pode buscar o que Ele não é. As assembleias não são luz, essencialmente falando; as assembleias são candeeiros. Cristo é a luz. Então, o que Ele busca nos seus candeeiros? A Si próprio, porque Ele é a luz. Então em Éfeso, Eles busca amor, Ele reivindica amor, Ele faz essa demanda porque Ele é amor. Em Esmirna, Ele busca fidelidade. “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida.” Por que Ele busca fidelidade na assembleia de Esmirna? Porque Ele é a fiel testemunha. Ele não busca nada em Esmirna que Ele não seja para Esmirna. Compreendeu isso irmão? Quando Ele se revela a Pérgamo, a próxima assembleia, Ele se revela como Aquele que tem na boca uma espada afiada de dois gumes. Por quê? Livro de Hebreus, capítulo 4, verso 12, diz que essa espada é para separar, é para dividir alma de espírito, juntas e medulas; o que é carnal, do que é espiritual, o que é terreno, do que é celestial. E Pérgamo era uma assembleia misturada. O que faltava em Pérgamo era separação ou santidade. Por que o Senhor busca santidade em Pérgamo? Porque Ele é o Santo de Deus. E assim nós vamos por todas elas. Quando Ele escreve a Sardes, o que Ele está buscando em Sardes? “Tens nome de que vives, mas estás morto.” “Ele é a ressurreição e a vida.” “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.” Então Ele não busca nada em Sardes que Ele próprio não seja para Sardes, e o que faltava em Sardes era vida. Nas sete assembleias o Senhor apenas busca e reivindica aquilo que Ele próprio é. Ele é o varão, medida de Deus. Essa é a segunda consideração preliminar. A terceira e última antes de entrarmos então diretamente no tema. Se as duas coisas que colocamos são verdades, então a terceira é uma consequência também das duas primeiras. Liderança espiritual é simplesmente a nossa cooperação com o Espírito Santo neste Seu compromisso e atividade. Liderança espiritual é nossa cooperação com esse Líder ( com ‘L’ maiúsculo), o Consolador, o Obreiro de Deus (com o ‘O’ maiúsculo), o Espírito Santo. Nesse que é o seu compromisso e a sua atividade quais sejam: Encher todas as coisas com Cristo e encher Cristo com todas as coisas. Então o que é liderança espiritual? É termos o privilégio de nos postarmos como cooperadores de Deus, chamados por Ele,  “Não fostes vós que escolhestes a mim, eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis muito fruto e o vosso fruto permaneça.” (Jo 15:16) Liderança espiritual é a nossa cooperação com o Espírito Santo no Seu compromisso e na sua atividade de encher Cristo com todas as coisas e todas as coisas com Cristo. Agora irmão, decorrente dessa colocação, se então nós nos achegarmos a Deus, diante do privilégio que temos de sermos os Seus cooperadores, só há uma alternativa, digamos assim para Deus: Deus terá que tratar conosco! Se nos achegarmos a Deus pra cooperarmos com o Seu propósito, Deus terá que tratar conosco para que a nossa medida de Cristo e a nossa estatura espiritual esteja sempre crescendo. E aqui irmão, há uma advertência tão grande para nós todos, porque se isto não acontecer, então brechas serão proporcionadas para aquele que está interessado em destruir tanto a obra de Deus, quanto os servos de Deus, o diabo. Se Deus não tratar conosco essas brechas serão então proporcionadas para que o inimigo destrua a obra de Deus e até mesmo os seus servos. Então essas são as três primeiras considerações pra levarmos aos pés do Senhor e meditarmos nelas. Nenhum de nós temos nenhuma incumbência se não veio do Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser levantado por ninguém a não ser que seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser equipado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser discipulado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Então João 16, o versículo com o qual abrimos esse tempo diz exatamente isso. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará.” Quem nos guia é nosso Líder. “Ele vos guiará a toda a verdade.” E por que Ele tem essa capacidade? Ah! Quanta aplicação preciosa há nesse versículo quando nós transportamos isso para ministério espiritual. Porque esse é ministério do Espírito Santo. Então é dito que esse espírito da verdade, Ele que é o “Líder de Deus” (no sentido, ‘proveniente dEle’)*, Ele vos guiará, e vos guiará a toda a verdade revelando-nos mais das belezas, glória, suficiência de nosso Senhor Jesus. “Ele vos guiará a toda a verdade.” Por quê? Leia de novo com atenção: “Porque Ele não falará por si mesmo.” Percebeu essa nota aí, irmão? Quanto ela é exortativa para nós? Se o nosso ministério confere com o ministério do Espírito Santo, se é o próprio ministério do Espírito Santo que tem encontrado vasos adequados por Sua graça, vasos que Ele mesmo tem forjado, então esses vasos não podem, não devem falar por si mesmos. Quão exortativa é essa colocação pra nós. Não somos pregadores de ideias, de interpretações bíblicas, de doutrinas particulares. “Não falará por si mesmo”. Nós não devemos achar isso ou achar aquilo. Nós não fomos chamados para pregar a nós mesmos, experiências, testemunhos... “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus”, Paulo escreveu assim aos Coríntios (II Co 4:5). Então o Espírito Santo guiaria os que pertencem ao Senhor, como Ele disse, aos Seus nesse discurso de João 16, “a toda a verdade”, porque Ele não falaria por Si mesmo, mas Ele diria tudo o que tivesse ouvido. Aí temos um outro elemento importantíssimo nesse versículo. Como nosso querido irmão nos lembrava ontem à noite, se o que chamamos de ministério ao Senhor e à Sua casa, se baseia em ocasiões em que somos visíveis, então nós somos fracassados. Oséias capítulo 14, verso 5, um lindo verso, mostrando como se cresce na casa de Deus, e como nós podemos pela graça do Senhor nos tornar mais e mais responsivos à forma e os limites como Ele quer nos usar. Aquele verso tão lindo e tão gráfico, o Senhor diz assim à Israel pela boca de Oséias, (Os 14:5) “Eu serei para com Israel como orvalho”, Deus a Fonte da vida. Sem o orvalho, nada de vida na terra. “Eu serei para com Israel como orvalho”. Agora, o que Israel será para o Senhor? Veja o que Ele diz: “E ele crescerá como o lírio e lançará suas raízes como o cedro do Líbano.” Essa é uma planta que não existe nos catálogos botânicos. Da terra pra cima ela tem a aparência de um lírio, da terra pra baixo, grossas raízes do cedro.  Da terra pra cima, uma vida de fé simples e despretensiosa: lírio. Mas, da terra pra baixo, grossas raízes do cedro. Você sabe que segundo os estudiosos, esse cedro pode alcançar até cento e vinte metros de raízes. Ninguém derruba um cedro, mas quando se olha esse cedro da terra pra cima, um lírio frágil que fenece. Como o nosso querido irmão Stephen Kaung disse certa vez: A vida espiritual e o serviço espiritual são naturalmente sobrenaturais, sobrenaturalmente naturais. Então queridos irmãos, se nós não temos tido para com o Senhor esses ouvidos (João 16:13), então nós não temos serviço nenhum a oferecermos nem a Ele, e nem à sua casa. Quando o sacerdote foi ungido, Levítico capítulo 8, o primeiro lugar onde aquela unção, aquele óleo era aplicado, era nos seus ouvidos. A partir daí, na sua orelha direita, a partir daí era aplicado no polegar da sua mão direita e, posteriormente em seguida, no polegar do seu pé direito. Que isto nos fala? Não podemos nos envolver, colocar nossa mão em nada que nós tenhamos ouvido da parte do Senhor. E da mesma maneira com relação aos pés. Não podemos caminhar com nada e nem com ninguém, que de alguma forma não nos tenha sido conduzido e aprovado pelo Senhor da obra. Ouvidos, mãos e pés... (continuação através do áudio da pregação)


Fonte:   (www.amaturidade.com.br)

*Observação pelo editor do blog.
                                                 
Transcrição: Levi Cândido