Graça e Paz! Seja Bem Vindo!

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13 agosto, 2017

AS DEZ VIRGENS (C.H.MACKINTOSH)


Abordaremos agora esta solene parte do
discurso de nosso Senhor no qual Ele
apresenta o reino dos céus comparado a
"dez virgens". O ensino contido nesta
parábola tão interessante e significativa é
de uma aplicação mais ampla do que a do
servo à qual já nos referimos,
considerando que ela aborda todo o
espectro da profissão cristã e não fica
restrita ao ministério, seja ele dentro ou
fora da casa. Ela se relaciona direta e
explicitamente à profissão cristã, tanto a
falsa como a verdadeira.
"Então o reino dos céus será semelhante a
dez virgens que, tomando as suas
lâmpadas, saíram ao encontro do esposo".
Há quem acredite que esta parábola
refira-se ao remanescente judeu, mas não
parece ser esta a ideia que ela dá, tanto
pelo contexto no qual ocorre, quanto
pelos termos nela utilizados.
No que diz respeito ao contexto como
um todo, quanto mais de perto nós a
examinarmos, mais claramente veremos
que a porção judaica do discurso termina
com Mateus 24:44. Isto é algo tão claro
que descarta qualquer questão.
Igualmente distinta é a porção cristã, que
se estende, como vimos, de Mateus 24:45
a Mateus 25:30, enquanto de Mateus 25:31
ao final temos os gentios. Tamanha
ordem e plenitude encontradas neste
maravilhoso discurso deve tocar todo
leitor atento. Ele apresenta o judeu, o
cristão e o gentio, cada um em seu
terreno distinto e em conformidade com
seus próprios princípios. Não há uma
mistura de uma coisa com outra, não há
confusão de coisas que diferem. Em
suma, a ordem, a plenitude e a
abrangência deste profundo discurso são
coisas divinas que enchem a alma de
"assombro, amor e adoração". Depois de
estudá-lo, só podemos fazer nossas, em
uníssono, as palavras do apóstolo que
disse: "Ó profundidade das riquezas,
tanto da sabedoria, como da ciência de
Deus! Quão insondáveis são os Seus
juízos, e quão inescrutáveis os Seus
caminhos!"
E então, quando examinamos os termos
exatos utilizados por nosso Senhor na
parábola das dez virgens, acabamos
percebendo que esta não se aplica a
judeus, mas a cristãos professos — aplicase
a nós. Proclama e ensina uma solene
lição ao escritor e também ao leitor destas
linhas.
Vamos, então, aplicar nosso coração à sua
leitura.
"Então o reino dos céus será semelhante a
dez virgens que, tomando as suas
lâmpadas, saíram ao encontro do esposo".
O cristianismo primitivo era
especialmente caracterizado pelo fato
aqui indicado, a saber, de aguardar pelo
ansiado encontro com um Noivo que
voltaria. Os primeiros cristãos foram
levados a se desligar das coisas presentes e
a saírem, de mente e coração, ao encontro
do Salvador que amavam e pelo qual
aguardavam. Não se tratava,
evidentemente, de sair de um lugar para
outro; não era uma questão de lugar, mas
algo moral e espiritual. Era uma saída de
coração, ao encontro de um amado
Salvador cujo retorno era ansiosamente
aguardado, dia após dia.
É impossível ler as epístolas dirigidas às
diversas igrejas sem perceber que a
esperança da eminente e segura volta do
Senhor governava os corações de Seu
amado povo nos primeiros dias. Eles
esperavam pelo Filho vindo do céu.
Sabiam que Ele viria para levá-los, para
estarem Consigo para sempre, e o
conhecimento e poder dessa esperança
tinha o efeito de desligar seus corações
das coisas presentes. Sua esperança, viva e
celestial, acabou por torná-los
indiferentes às coisas deste mundo. Eles
esperavam pelo Salvador. Acreditavam
que Ele poderia vir a qualquer momento
e, por isso, as obrigações desta vida
acabavam sendo tão somente assumidas e
atendidas para o momento — sem dúvida
alguma atendidas de forma completa e
adequada — mas apenas no caráter
transitório que tinham, enquanto viviam
em grande expectativa.
Tudo isso é comunicado ao nosso
coração, de forma breve, porém clara,
pela expressão: "Saíram ao encontro do
esposo". Não há como conscientemente
aplicar isto ao remanescente judeu, ainda
mais sabendo que eles não sairão ao
encontro de seu Messias, mas, ao
contrário, permanecerão em sua posição
ou em meio às circunstâncias até que Ele
venha e coloque Seu pé no Monte das
Oliveiras. Eles não aguardarão pela vinda
do Senhor para levá-los embora desta
terra para estarem com Ele no céu, mas
Ele virá para trazer-lhes libertação em sua
própria terra, e para fazê-los feliz ali
mesmo, sob Seu próprio reino pacífico e
bendito durante o milênio.
Porém o chamado feito aos cristãos foi
para "saírem". Espera-se deles que
estejam sempre de mudança; que não se
acomodem no mundo, mas que estejam
de saída em uma sincera e santa
expectativa pela glória celestial para a
qual são chamados, e pelo Noivo celestial
com Quem estão desposados, e cujo
breve advento são ensinados a aguardar.
Tal é a ideia verdadeira, divina e normal
para a condição e atitude esperadas de um
cristão. E uma ideia tão terna era
maravilhosamente entendida e colocada
em prática pelos primeiros cristãos. Mas,
oh!, somos lembrados de que, na
cristandade estamos diante tanto do que é
genuíno como daquilo que é falso. Há o
"joio" e há também o "trigo" no reino
dos céus, portanto lemos acerca destas
dez virgens que "cinco delas eram
prudentes, e cinco loucas". No
cristianismo professo existe o verdadeiro
e o falso, o genuíno e a imitação, o real e
o ilusório.
Sim, e isto deve continuar até o tempo do
fim, até que o Noivo venha. O joio não é
convertido em trigo, tampouco as virgens
loucas transformadas em prudentes. Não,
jamais. O joio irá queimar e as virgens
loucas serão deixadas do lado de fora. Até
aqui, pelo que vemos de um aparente
progresso levado a efeito pelos meios
hoje em operação — a pregação do
evangelho e as diversas organizações
beneficentes funcionando em todo o
mundo — percebemos, graças a todas as
parábolas e ao ensino de todo o Novo
Testamento, que o reino dos céus se
revela como uma mescla de mal das mais
deploráveis. Trata-se de um processo que
corrompe, uma repugnante adulteração
da obra de Deus engendrada pelo inimigo
e um real progresso do mal em princípio,
profissão e prática.
E tudo isso seguirá até o fim. As virgens
loucas são vistas quando surge o Noivo.
De onde viriam, se fosse correta a ideia de
que todos deverão se converter antes da
vinda do Senhor? Se todos forem levados
ao conhecimento do Senhor pelos meios
hoje utilizados, então como explicar a
existência do mesmo número de virgens
loucas e sábias nessa ocasião?
Mas talvez alguém alegue que isto não
passa de uma parábola, uma figura.
Certamente, mas figura de quê?
Certamente não de um mundo inteiro
convertido. Afirmar isto seria ofender o
volume sagrado e tratar o solene ensino
de nosso Senhor de um modo tal que não
ousaríamos tratar nem mesmo o ensino
de um mero mortal.
Não, leitor, a parábola das dez virgens
ensina, sem dúvida alguma, que quando o
Noivo vier entrarão em cena as virgens
loucas e, evidentemente, se existirem as
virgens loucas é porque elas não terão
sido previamente convertidas. Até uma
criança é capaz de entender isto. Não
conseguimos enxergar como seria
possível, levando-se em consideração esta
parábola, manter a teoria de um mundo
convertido antes da vinda do Noivo.
Mas vamos examinar um pouco mais de
perto estas virgens loucas. Sua história é
cheia de admoestações para todos os que
professam ser cristãos. Trata-se de algo
muito sutil, mas de uma abrangência
impressionante. "As loucas, tomando as
suas lâmpadas, não levaram azeite
consigo". Existe a profissão exterior, mas
não uma realidade interior — nenhuma
vida espiritual — nenhuma unção —
nenhuma ligação vital com a fonte de vida
eterna — nenhuma união com Cristo.
Nada além da lâmpada da profissão e do
seco pavio de uma crença nominal,
teórica e racional.
Isto é particularmente solene. Lança uma
tremenda responsabilidade sobre aquela
imensa massa de professos batizados que,
neste exato momento, nos rodeia, na qual
existe tanta aparência exterior, porém tão
pouca realidade interior. Todos
professam ser cristãos. A lâmpada da
profissão cristã pode ser vista em todas as
mãos, mas, oh!, quão poucos trazem o
azeite em seus vasos, o espírito de vida
em Cristo Jesus, o Espírito Santo
habitando em seus corações. Sem isto,
tudo é completamente inútil e vão. Pode
haver a mais elevada profissão, pode
existir o mais ortodoxo credo, alguém
pode ser batizado, pode receber a ceia do
Senhor, pode estar regularmente
registrado e ser perfeitamente
reconhecido como membro de uma
comunidade cristã, pode ser um professor
da escola dominical ou um ministro
ordenado por alguma religião. Pode ser
alguém que seja tudo isso e, mesmo
assim, não possuir uma centelha sequer
de vida divina, nem mesmo um raio de
luz celestial, qualquer ligação com o
Cristo de Deus.
Ora, existe algo de particularmente
terrível no pensamento de se ter tão
somente uma medida de religião
suficiente para enganar o coração,
amortecer a consciência e arruinar a alma
— religião suficiente apenas para dar
nome de vivo a quem está morto —
suficiente para deixar alguém sem Cristo,
sem Deus e sem esperança neste mundo;
suficiente para sustentar a alma com uma
falsa confiança, e enchê-la de uma falsa
paz, até que o Noivo venha e, então, os
olhos sejam abertos quando for tarde
demais.
Assim é com as virgens loucas. Elas são
muito parecidas com as prudentes. Um
observador comum talvez não seja capaz
de ver qualquer diferença por algum
tempo. Todas se preparam juntas. Todas
têm lâmpadas. E, além disso, todas
acabam indo descansar e adormecem,
tanto as prudentes como as loucas. Todas
se levantam com o clamor da meia-noite e
preparam suas lâmpadas. Até aqui não
existe uma diferença visível. As virgens
loucas acendem suas lâmpadas — a
lâmpada da profissão cristã é acesa com o
pavio seco de uma fé nominal, teórica e
sem vida. Oh! tudo em vão — pior do
que em vão, um engano fatal para a
destruição da alma.
Aqui surge a grande diferença — a bem
definida linha de demarcação — com
uma clareza terrível, sim, apavorante. "E
as loucas disseram às prudentes: Dai-nos
do vosso azeite, porque as nossas
lâmpadas se apagam". Isso prova que suas
lâmpadas estavam acesas, pois se não
estivessem acesas não poderiam se apagar.
Mas era apenas uma luz falsa, tremulante
e passageira. Não era alimentada pela
divina fonte. Era a luz da mera profissão
dos lábios, alimentada por uma crença
racional, com duração apenas suficiente
para enganar a si mesmas e a outros, e
apagar bem na hora em que mais
precisavam dela, deixando-as nas terríveis
trevas da noite eterna.
"Nossas lâmpadas se apagam". Terrível
descoberta! "Aí vem o esposo, e nossas
lâmpadas se apagam. Nossa vã profissão
cristã está sendo revelada pela luz de Sua
vinda. Pensamos que estava tudo em
ordem. Professamos a mesma fé, tivemos
o mesmo tipo de lâmpada, o mesmo tipo
de pavio; mas, oh! agora descobrimos,
para horror nosso, que nos enganamos a
nós mesmas, que não temos aquilo que é
necessário, o espírito de vida em Cristo, a
unção do Santo, a ligação viva com o
Noivo. O que faremos? Oh, virgens
prudentes, tenham pena de nós e
compartilhem conosco seu azeite. Façam
isso, por misericórdia, compartilhem um
pouco conosco, nem que seja uma gota
dessa coisa tão essencial, para não
perecermos para sempre".
Oh, tudo em vão. Nenhuma delas pode
compartilhar este azeite com outra. Cada
uma possui o suficiente para si. Além do
mais, ele só pode ser recebido do próprio
Deus. Um homem pode dar luz, mas não
pode dar o azeite. Este é uma dádiva que
provém somente de Deus. "Mas as
prudentes responderam, dizendo: Não
seja caso que nos falte a nós e a vós, ide
antes aos que o vendem, e comprai-o para
vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou
o esposo, e as que estavam preparadas
entraram com ele para as bodas, e fechou-se
a porta". De nada adianta buscar por
amigos cristãos que nos ajudem ou que
nos deem suporte. De nada adianta correr
de um lado para o outro procurando
alguém em quem se apoiar — algum
santo, ou algum eminente mestre — de
nada adianta buscar apoio em nossa
Igreja, ou em nosso credo, ou em nossos
sacramentos. Queremos azeite. Não
podemos viver sem ele. Onde encontrálo?
Não no homem, ou na Igreja, ou nos
santos, ou nos pais. Devemos obtê-lo de
Deus; e Ele, bendito seja o Seu nome, o
dá graciosamente. "O dom gratuito de
Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus
nosso Senhor".
Mas, repare bem, trata-se de algo
individual. Cada um deve tê-lo para si
mesmo. Ninguém pode crer, ou obter
vida para outro. Cada um deve tratar
disso pessoalmente com Deus. A ligação
que faz a conexão da alma com Cristo é
algo completamente individual. Não
existe algo como uma fé de segunda mão.
Uma pessoa pode nos ensinar religião,
teologia ou a letra das Escrituras, mas não
pode nos dar o azeite; não pode nos dar
fé; não pode nos dar vida. "É dom de
Deus". Que pequena e preciosa palavra,
"dom". É como Deus. É tão gratuito
quanto o ar de Deus; gratuito como Seus
raios solares; gratuita como Suas
refrescantes gotas de orvalho. Mas,
repetimos e com solene ênfase, cada um
deve obtê-lo para si mesmo e tê-lo em si
mesmo. "Nenhum deles de modo algum
pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o
resgate dele (pois a redenção da sua alma
é caríssima, e cessará para sempre), para
que viva para sempre, e não veja
corrupção" (Sl 49:7-9).
Leitor, o que você diz destas solenes
realidades. Você é uma virgem louca ou
prudente? Você já obteve vida em um
Salvador ressuscitado e glorificado? Você
é um mero professo de uma religião,
satisfeito com a mera rotina comum e
sem vida de ir à igreja, possuindo apenas
um pouco de religião que o torne alguém
respeitável neste mundo, mas não o
suficiente para ligá-lo com o céu?
Insistimos sinceramente com você para
que pense seriamente nestas coisas. Pense
nelas agora. Pense no indescritível horror
de descobrir que sua lâmpada da mera
profissão cristã está se apagando e
deixando você em densas trevas — trevas
palpáveis — as trevas exteriores de uma
noite eterna. Quão terrível será descobrir
que a porta foi fechada antes que você
pudesse embarcar rumo às núpcias; foi
fechada na sua cara! Que lamento de
agonia, "Senhor, Senhor, abre-nos!" Que
contundente e esmagadora resposta: "Em
verdade vos digo que vos não conheço".
Oh, querido amigo, dê a estas solenes
palavras um lugar em seu coração agora
mesmo, enquanto a porta ainda está
aberta, enquanto o dia da graça se estende
pela maravilhosa paciência de Deus. Está
chegando rapidamente aquele momento
quando a porta de misericórdia será
fechada para você para sempre, quando
toda esperança acabará e sua preciosa
alma será precipitada em um sombrio e
eterno desespero. Que o Espírito de Deus
possa tirá-lo de seu sono fatal e não
permita que você descanse até encontrar
o verdadeiro repouso na obra completa
do Senhor Jesus Cristo e nos Seus
benditos pés, em devota adoração.
Devemos agora encerrar este texto, mas
antes de fazê-lo gostaríamos de, por um
momento, dar uma olhada nas virgens
prudentes. De acordo com o ensino desta
parábola, a grande característica que as
distingue e as separa das virgens loucas é
que, logo de início, elas "levaram azeite
em suas vasilhas, com as suas lâmpadas".
Em outras palavras, o que distingue os
verdadeiros crentes daqueles que
meramente professam é que os primeiros
têm em seus corações a graça do Espírito
Santo de Deus; eles têm o espírito de vida
em Cristo Jesus e o Espírito Santo
habitando neles como o selo, o penhor, a
unção e o testemunho. Este grande e
glorioso fato caracteriza hoje todos os
verdadeiros crentes no Senhor Jesus
Cristo — um fato estupendo,
maravilhoso, com toda certeza — um
imenso e inefável privilégio que deveria
sempre curvar nossa alma em santa
adoração diante de nosso Deus e de nosso
Senhor Jesus Cristo, cuja redenção já
consumada nos garantiu tão grande
bênção.
Quão triste é pensar que, apesar deste
privilégio tão santo e elevado, somos
obrigados a ler, como mostram as
palavras de nossa parábola:
"Tosquenejaram todas, e adormeceram!".
Todas igualmente, tanto as prudentes
quanto as loucas, adormeceram. O Noivo
tardou em vir, e todas, sem exceção,
perderam o frescor, o fervor e o poder da
esperança da Sua vinda, e adormeceram.
É isto que declara nossa parábola, e é este
o solene fato da história. Todo o corpo
professo adormeceu. A bendita esperança
que brilhou com tanto fulgor no
horizonte dos primeiros cristãos, se
desvaneceu com muita rapidez. E
enquanto perscrutamos as páginas da
história da Igreja durante dezoito séculos,
desde os Pais Apostólicos ao início do
presente século, em vão buscamos por
alguma referência clara à esperança
específica da Igreja — a volta pessoal do
bendito Noivo. Na verdade, aquela
esperança foi virtualmente perdida pela
Igreja, e não apenas isto, mas hoje é quase
uma heresia ensiná-la e, nestes últimos
dias, centenas de milhares de ministros
que professam a Cristo não ousam pregar
ou ensinar sobre a vinda do Senhor
conforme o ensino das Escrituras.
É verdade, bendito seja Deus, que uma
grande mudança aconteceu no último
século. Houve então um grande
despertamento. Deus, por meio do Seu
Espírito Santo, voltou a chamar a atenção
de Seu povo para verdades há muito
esquecidas e, entre elas, a gloriosa verdade
da vinda do Noivo. Muito então
perceberam que a razão da demora do
Noivo se devia simplesmente à paciência
de Deus para conosco, pois Ele não quer
que nenhum pereça, mas que todos
venham a se arrepender. Precioso motivo!
Mas eles também viram que, apesar dessa
paciência, nosso Senhor está próximo.
Cristo vem. O clamor da meia-noite já foi
ouvido: "Aí vem o esposo, saí-lhe ao
encontro". Muitos milhões de vozes
ecoam esse clamor tão comovente, até
que ele alcance, em seu poder moral, de
um polo a outro, "desde o rio do Egito"
aos confins da terra, conclamando toda a
Igreja a esperar — todos juntos — pela
gloriosa vinda do Noivo que é tão
bendito aos nossos corações.
Amados irmãos no Senhor, despertem!
Que cada alma seja despertada. Vamos
deixar de lado a indolência do conforto
mundano e da satisfação própria —
vamos nos colocar acima da debilitante
influência do formalismo religioso e da
tediosa rotina — vamos jogar de lado os
dogmas da falsa teologia e sair, com
vontade e na afeição do coração, ao
encontro de nosso Noivo que está
chegando. Que estas solenes palavras
atinjam nossa alma com revigorado
poder: "Vigiai, pois, porque não sabeis o
dia nem a hora". Que a resposta de nossa
vida e coração seja: "Ora vem, Senhor
Jesus".
Sinistra é a fonte do mal que hoje passa;
Despertai, ó santos, vós filhos da graça;
Buscai os perdidos com fé destemida,
Sabendo o preço da cruz e sua lida.
Cantai, inspirados, do amor sem medida,
Enquanto aguardamos, ao céu, a subida
— Que pode ser hoje, oh doce certeza! —
Com lombos cingidos e a luz sempre acesa.

08 junho, 2017

A VISÃO DO TEMPLO DE EZEQUIEL - RESUMO (THEODORE AUSTIN-SPARKS)



Eu devo dizer aqui que eu tive um profundo exercício diante do Senhor essa manha, e senti que deveria colocar pra fora todas essas coisas, e livrar-me desse aglomerado de material, e perguntar ao Senhor agora, “O que é isso que o Senhor quer me dizer? O que o Senhor quer que essas pessoas saibam?” E aqui estão algumas das coisas que Ele tem definitivamente posto em meu coração para falar a vocês.

Admoestação concernente à tentativa de “montar a igreja” ou “praticar a Igreja”

“Tem uma coisa que eu e você devemos ser bem cuidadosos em evitar, e isso trata-se de resolver as coisas espirituais num sistema técnico, de ser levado pelas técnicas da casa de Deus. Esse é um grande perigo e eu quero enfatizar isso essa manha.  Aqui esta essa grande quantidade de material e detalhes todos juntos além da nossa capacidade de segurar. Se tivéssemos que resolver isso com um mero sistema técnico, nos poderíamos facilmente destruir a vida”. [...]
“Especialmente aqueles que têm responsabilidade esteja atento a esse perigo. Seria muito fácil para essa bela obra que Deus esta fazendo se tornar apenas um sistema técnico. Você pode ter todas as regras e todos os princípios e perder a vida. Estou quase claro que vocês me permitirão dizer isso para vocês. Esse é um perigo que eu tenho lutado por muitos anos. Esse tem sido meu alvo principal, tentar evitar isso. Nós não queremos ver pessoas saindo por ai dizendo “isso deve ser feito dessa maneira, é assim que eles fazem em Taipei e nessa outra cidade”. Espero que o Senhor nos livre disso. Você não pode simplesmente colocar as pessoas num sistema e fazê-las viver. Tenho quase certeza que vocês veem a importância disso”. [...]

A Casa de Deus e a Lei da Casa de Deus é Santidade - 13:29-18:29

“Ha uma lei na casa, Deus é bem particular em coisas pequenas. Cada pequena coisa tem sua própria medida; é uma medida que é dada por Deus. Você não tem permissão de fazer isso menor ou maior. Aquilo deve expressar exatamente a mente do Senhor”. [...]
“Na visão da Casa de Deus não é apresentado um sistema, Ele não estava apresentando uma organização, Ele estava apresentando uma pessoa; essa é a pessoa do Seu filho; essa é uma casa espiritual, não um sistema de verdade.” [...]
“A Lei dessa casa é santidade de vida”

A Casa de Deus, A Igreja e nossa percepção –

“Nós devemos ser muito cuidadosos para não tornar Cristo, ou Sua igreja, menor do ela realmente é. Nós não podemos tornar Cristo menor do que Deus o fez. Não podemos torná-Lo apenas o nosso Cristo, nosso pequeno Cristo, o Cristo que pertence a nos, O Cristo da nossa localidade. Temos que ser bastante cuidadosos para não tornar Cristo menor do que Deus o fez e não devemos fazer a igreja menor do que Deus a faz. Isso não é nossa pequena igreja, não é a pequena igreja de pessoa alguma. Isso é muito maior do que nossos pensamentos, vai muito além da nossa imaginação. Isso é um grandioso Cristo e uma grandiosa igreja. Aqui novamente devemos nos guardar contra os perigos: esse é o perigo sempre presente de reduzir o tamanho de Cristo e da Igreja.”

Primeiro aspecto da Casa de Deus – Gloria com santidade -

“O que traz valor é isso: que a real compreensão da igreja nos fará maior e não menores. Não tem nada que nos salvará mais ‘da pequenez’ do que a verdadeira compreensão de Cristo. Se nós nos tornamos pequenos ou se a obra se torna pequena em sua mente, então, não tem compreensão de Cristo”. [...]
“Primeiro de tudo, é o lugar da glória de Deus” [...]
“Essa casa é a casa da glória de Deus, e você nota que todos os setenta versículos lidos dizem que a glória é a glória de santidade, não é apenas algo resplandecente, é uma condição espiritual. Nenhuma mácula tem espaço aqui. Nenhum corpo morto tem espaço aqui. Não há morte ou corrupção aqui: a Glória é a Glória de santidade. Onde corrupção e morte foram removidas. Lembre-se que a Glória depende da condição espiritual... ela depende da santidade.”

Segundo aspecto da Casa de Deus – Governo e Liderança -

“Lembre-se que essa é uma casa celestial, a sede do seu governo não é uma igreja na terra, ainda que esteja em Roma ou qualquer outro lugar. A sede do Seu trono é no Céu.” [...]
“Nós realmente só estamos debaixo desse governo de Deus quando nós estamos numa posição celestial.” [...]
“Bem, o que nós temos no livro de Atos coloca isso claramente diante de nó. Lá a igreja está debaixo do governo dos céus e é uma igreja muito eficaz. Quando a igreja está debaixo do governo humano ela perde sua eficácia. O governo requer uma posição celestial”. [...]
“O governo dessa casa é o governo do Espírito Santo. O Espírito Santo usa os homens. Ele deverá escolher os que serão chamados presbíteros. Mas tem uma grande diferença entre oficial e espiritual. Você pode ser o que é chamado de presbítero oficialmente e não ser um espiritualmente. Se você é um presbítero espiritualmente, você será compelido a tornar-se oficialmente. Sua medida espiritual será reconhecida e, independentemente de você ser feito um ancião ou não, você será um espiritualmente. O governo, eu estou dizendo, é espiritual. Os homens no Novo Testamento foram descritos como homens cheios do Espírito Santo. Eles eram os apóstolos, eles eram os anciãos, eles eram os diáconos. Há uma coisa que os fez ser o que eram: Homens cheios do Espírito Santo.”

Terceiro Aspecto da Casa de Deus – Testemunho de Vida -

“Essa casa é um canal ou um vaso da vida de Deus. De uma casa como essa flui vida; é a partir disso que a vida flui. Você não tem que começar o fluir de vida, você não tem que fazer essa vida; essa vida vem do manancial. Você não coleta baldes de água e depois tenta jogar pra fora dessa casa. Não tem nada artificial nisso, não tem nada de segunda-mão, não tem nada de coisas feitas por homem nisso.” [...]
“Uma casa onde o Senhor está, a partir daquela casa a vida flui. O testemunho por si só esta naquela vida. João falou, “esse é o testemunho”. Você quer saber o que é o testemunho? O testemunho não é um sistema de doutrinas ou ensinamento. O testemunho não é uma técnica. “Esse é o testemunho que Deus nos deu: a vida eternal, e essa vida está em Seu filho”. O testemunho está na vida e quando o testemunho está em nós, quando a vida está em nós, o testemunho está em nós.” [...]

Theodore Austin-Sparks

01 junho, 2017

Liderança Espiritual: Suas evidências na vida de Paulo, Pedro e João

 Estudo 1
                                                             

(Introdução)

“Vamos abrir nossas Bíblias no Evangelho de João, capítulo 16, verso 13 a 15. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”
Vamos ler novamente a primeira frase do verso 13. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade”. Vamos ainda a um verso mais, na primeira epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo 11, verso 1: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” Ainda na epístola aos Filipenses, capítulo 3, verso 17. (Fp 3:17) “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.” Finalmente, na epístola de Paulo aos Gálatas, capítulo 6, verso 17. “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.”
Conforme foi anunciado previamente, o tema geral desse encontro é ‘liderança espiritual’. A parte específica, o tema específico sob minha responsabilidade é esse assunto da liderança espiritual como visto na vida de Paulo, de Pedro e de João. Antes de abordar diretamente este tema, queridos irmãos e irmãs, penso que existem algumas considerações que penso ser de extrema importância nesse assunto, ‘liderança espiritual’. Nós vamos buscar fazê-las do modo mais objetivo e didático possível. E que o Senhor nos ajude a considerarmos então aos Seus pés esses assuntos. Primeira consideração preliminar de muita importância: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Me permita repetir uma vez mais: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Vamos procurar ilustrar isso com alguns versos da epístola aos Efésios. Os irmãos sabem que no capítulo 1 de Efésios, no verso 23, Paulo disse que Cristo é “Aquele que tudo enche em todas as coisas”. Na mesma epístola, no capítulo 4, verso 10, Paulo disse que Cristo é “Aquele que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas”. Nesses dois versos nós vemos que, por um lado, o compromisso e o ministério do Espírito Santo é encher todas as coisas com Cristo. Pra isso Ele foi enviado, essa é sua missão, esse é o compromisso, essa é a atividade do Espírito Santo: “Encher todas as coisas com Cristo”. Mas também, nós podemos afirmar pela mesma epístola, capítulo 1, verso 10, que a segunda parte ou o segundo aspecto do ministério do Bendito Consolador é “encher Cristo com todas as coisas”. Por um lado, “encher todas as coisas com Cristo”, por outro lado, “encher Cristo com todas as coisas”. Porque como diz o autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 1, no verso 2, “Ele é o herdeiro de todas as coisas”. Então é de extrema importância para nós, podermos até mesmo dizer que esse tópico citado aqui não é uma consideração, mas é um axioma bíblico, em particular neotestamentário, o Espírito Santo foi enviado com um compromisso e baseado nesse compromisso Ele exerce a sua atividade. E qual é? “Encher todas as coisas com Cristo” e “encher Cristo com todas as coisas”. Esse verso 10 do capítulo 1 usa uma palavra certamente conhecida dos irmãos, a palavra ‘convergir’  que aparece apenas duas vezes em todo o Novo Testamento, outra vez em Romanos, traduzida ali na nossa versão em português por ‘resumir’, “resumir em Cristo todas as coisas”, seria esta a ideia da palavra do capítulo 1, verso 10 (Efésios), e ela significa na língua original: ‘resumir’, ‘agrupar’, ‘conectar’ coisas que antes estavam desagrupadas, descordenadas, desconectadas de Cristo, reunir essas coisas, agrupá-las, mas não apenas isso; além de reuní-las e de agrupá-las, coloca-las todas as coisas debaixo de um único Cabeça universal. E nós sabemos, evidentemente, que esse Cabeça universal é Cristo. Então irmãos, essa é a primeira consideração preliminar de imensa ajuda, necessária para compreendermos o que significa ‘liderança espiritual’. Nós sabemos que essa palavra pode ser usada de uma maneira inadequada, de diversas formas. Então compreendermos que, em termos de liderança espiritual, Cristo está exaltado no trono e enviou a partir dali o Seu Espírito Santo pra realizar essa obra de reunir, agrupar e colocar todas as coisas debaixo dEle como único Cabeça, e por outro lado, encher todas as coisas do universo com Cristo, é então de grande importância pra nós e regula o nosso entendimento de liderança espiritual. Em outras palavras, após a morte, ressurreição e ascensão do Senhor, que como Filho de Deus é o Lider, foi Ele quem disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos”, Ele é o Filho de Deus, o Profeta de Deus, o Sacerdote de Deus, o Rei, segundo o coração de Deus, após completar a Sua obra e ascender, Ele envia dos céus, da sua posição exaltada, o Espírito Santo, para então executar essa obra com o qual Ele se comprometeu (a terceira Pessoa do Deus Triúno, o Espírito Santo), que é exatamente reunir todas as coisas e colocá-las debaixo do encabeçamento de Cristo. “Encher Cristo com todas as coisas” e “encher todas as coisas com Cristo”. Então essa é a primeira consideração. A segunda dela é  decorrente da primeira. Se é verdade bíblica o que acabamos de dizer, então, toda obra chamada cristã tem que passar por um crivo e esse crivo é a sua  eficácia em ampliar a medida de Cristo por todo o universo. De novo, vamos colocar de outra maneira: O teste real de toda obra chamada cristã é ampliar a medida de Cristo neste universo. Claro, porque se o Espírito Santo com esse compromisso e com essa atividade, qualquer obra que se chama cristã e seja genuína e autêntica, ela tem uma finalidade e uma única finalidade: Ampliar a medida de Cristo neste universo. Se esta tal obra cristã, seja ela qual for, tenha ela o titulo que tiver, não cumpre esse serviço, então ela não coopera com o trabalho de Deus pelo Espírito Santo. Então essa é a segunda coisa importante. Mas antes de passarmos pra terceira, ainda decorrente dessa, precisamos falar ainda mais sobre essa segunda. O que seria ampliar a medida da plenitude de Cristo nesse universo? Ah, irmãos e irmãs, esse assunto da medida de Cristo é tão relevante que se pela bondade e misericórdia do Senhor nossos olhos forem abertos, nunca mais serviremos ao Senhor da mesma maneira. A medida de Cristo é o centro do interesse do Espírito Santo. Vamos de novo colocar a mesma coisa de outra forma: Tudo o que conta para Deus é Cristo. Nada mais conta para Deus. Tudo que tem valor, tudo que traz satisfação, tudo que traz alegria ao coração de Deus é o Seu próprio Filho. “Este é o meu Filho amado em quem tenho todo o meu contentamento”. Provérbios capítulo 8, a partir do verso 22 até o verso 31, aquela sabedoria ali é personificada. No verso 12 do capítulo 8 diz: “Eu, a Sabedoria, habito com a prudência”, então essa Sabedoria em Provérbios 8 não é um atributo de Deus, porque um atributo não diz: “Eu”, e no versículo 12 a Sabedoria diz: “Eu, a Sabedoria”, então a sabedoria ali é personificada porque se refere Aquele que é a Sabedoria de Deus. Ele, Cristo, “se nos tornou da parte de Deus”, Paulo vai dizer escrevendo aos Corintios, “Sabedoria, e Justiça, e Santificação, e Redenção” (I Co 1:30). E quando aquela Sabedoria personificada é descrita ali em Provérbios 8, é dito dela que ela estava diante do Pai. Desde a fundação do mundo, antes da fundação do mundo, quando as primeiras obras eram executadas, ali estava Eu, diz a Sabedoria, e Eu era as suas delícias – o Filho, delícias do Pai -, Eu era o Seu arquiteto, eu recreava-me perante Ele no Seu mundo habitável, eu encontrava minhas delícias junto aos filhos dos homens.” Que texto mais precioso mostrando nosso Senhor Jesus, a Sabedoria pré-encarnada, Provérbios capítulo 8. Então tudo o que conta para Deus é o Seu Filho. Qualquer obra cristã que não contribua de alguma maneira para ampliar a medida de Cristo está falida. Qualquer obra cristã que chame atenção para si mesma e não para Cristo, está falida. Qualquer obra cristã que assuma o lugar de centralidade, no que se concerne ao eterno propósito de Deus, está falida porque Cristo é o único objeto de interesse de Deus o Pai. Então a medida de Cristo é o teste real de toda a obra cristã. Agora irmãos, me permitam citar apenas duas passagens para nos ajudar nesta consideração tão importante e preliminar para entendermos este assunto tão sério, o tema dessa conferência: Liderança Espiritual. Se você abrir sua Bíblia em Atos 17, no versículo 31, Paulo está concluindo aquele sermão maravilhoso falado aos ouvidos de filósofos epicureus estóicos no areópago em Atenas. (At 17). No versículo 30, o apóstolo Paulo coloca, podemos dizer assim, todos aqueles filósofos em uma cadeira de réu. E de uma maneira muito ousada em Cristo e pelo Espírito Santo, ele diz a eles: “Deus não levou em conta os tempos de vossa ignorância”. E lembre-se que ele está falando ali com a nata da sabedoria grega do momento. “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam”. E preste atenção no verso 31, ele diz assim concluindo o seu sermão: “Porquanto (Deus) estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo” e agora nós temos duas expressões aí notáveis, a primeira é: “em justiça”, já que a preposição aí na língua original é exatamente o “em” que, traduzida para o nosso Português pode ser traduzida como “com”, como é o caso aí da maioria das versões, talvez aqui, “há de julgar o mundo com justiça”, a palavra é “em”, a preposição “em”, na língua original, “em justiça”. Logo na sequência então da frase segue assim: “por meio de um varão”, e aí nós temos de novo a mesma preposição na língua original, o “em” de novo, “em um varão”, que pode ser traduzida  “por meio de”, como está aí. “Por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando dentre os mortos”. Claro que esse varão é o varão aprovado por Deus; nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo diz nesse versículo que Deus vai jugar o mundo não apenas em justiça, mas Deus vai julgar o mundo “em um varão”. O que julgar o mundo em um varão nos diz? Vamos colocar assim: O Senhor Jesus Cristo é a vara, ou o varão, medida de Deus. Ah, irmão, que importante é compreendermos isso. Por quê? Porque Deus irá colocar e já está em certo sentido colocando, começando pela Sua casa, Sua Igreja, “A hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada”, diz o Apóstolo Pedro na sua epístola, então Deus irá trazer todas as coisas do universo, e a Igreja está incluída no que cabe a ela, todas as coisas do universo serão trazidas para serem medidas aos pés deste varão, medida de Deus. Podemos dizer que esse Senhor Jesus, o varão aprovado por Deus, o glorioso Cristo, é esse metro de cem centímetros, esse metro completo de Deus, diante do qual todas as coisas do universo serão medidas. Por isso a colocação que fizemos número dois. Toda obra cristã será testada com relação à medida de sua eficácia em ampliar a medida de Cristo nesse universo, porque Cristo é o varão, medida de Deus. Se nós medíssemos todas as coisas como Deus mede, que diferença isso faria pra nós! Nós não iríamos buscar a quantidade de psicologia que existe numa pregação cristã, nem de autoajuda.  Nós não iríamos testar a obra de Deus pelos seus números, e nem pela sua popularidade. Nós não iríamos medir uma reunião da Igreja no sentido de que ela nos deu mais ou menos conforto, e nossas emoções foram mais ou menos tocadas. Nós iríamos medir todas as coisas, toda palavra, toda pregação, toda obra, toda reunião, todo ministério, todos os relacionamentos pela medida de Cristo. Quanto de Cristo há nesse assunto? Essa é a única pergunta que nós deveríamos fazer. Mas como nós somos impressionados e nos impressionamos com o que não deveríamos impressionar. Mas isso não muda o fato de Deus. A única coisa que conta pra Deus é quanto de Cristo há em determinada pessoa, em determinado relacionamento, em determinado assunto, palavra, pregação, ministério, obra, reunião, louvores e tudo mais. Um texto ainda pra nos ajudar ainda nessa segunda consideração. Já dissemos numa outra vez que aquele quadro que aparece nos primeiros três capítulos de Apocalipse eles são únicos, maravilhosos. Porque no capítulo 1 de Apocalipse, sem entrar em muitos detalhes, pelo menos nesse momento, talvez falaremos um pouco mais quando tocarmos no assunto de João, mais no final da semana, no primeiro capítulo de Apocalipse nós temos um quadro magnífico: “Cristo glorificado”, na visão de João. João descreve desde os cabelos, alvos como a neve, até os seus pés como bronze polido. Cada item mostrando algo da glória desse varão, medida de Deus. Ele é o varão aprovado por Deus. Ele é o varão pelo qual Deus mede e medirá todas as coisas do universo. Então João o descreve. Quando nós vamos ao capítulo 2 e 3 de Apocalipse, o que nós temos? Sete assembleias. Por quê? “Porque a hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se há de vir por nós, que será daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (I Pe 4:17) Então no capítulo 1 nós temos Jesus Cristo, na visão de João, em Sua glória ascenso. No capítulo 2 e no capítulo 3, sete assembleias. E sabe irmão, tente fazer um quadro na sua mente: o que temos ali? É uma assembleia após outra em fila indiana, e eles vão se apresentando diante dAquele que é o varão, medida de Deus. Então, a primeira assembleia que se apresenta é Éfeso. Quando Éfeso se apresenta aos pés do Senhor, esse varão medida, Ele vai então medi-la. E Ele mede de um modo tão justo! Ele diz: “Eu te louvo porque em ti há labor, porque em ti há perseverança, porque em ti há discernimento espiritual. Provaste falsos apóstolos e os achastes mentirosos. Mas tenho contra ti que abandonaste o teu melhor amor”- a primazia do teu amor.” O Senhor está medindo uma a uma daquelas assembleias de acordo com o Seu próprio caráter. Ele não busca naquelas assembleias nada mais do que Ele próprio é para elas. “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que (Ele, o Consolador) há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” Se a assembleia em Éfeso falhava no amor, não era porque o seu Senhor não era amor, mas porque ela não soube permanecer no Seu amor. Tudo o que o Senhor busca em cada uma das assembleias dele é aquilo que Ele próprio é. Ele não pode buscar o que Ele não é. As assembleias não são luz, essencialmente falando; as assembleias são candeeiros. Cristo é a luz. Então, o que Ele busca nos seus candeeiros? A Si próprio, porque Ele é a luz. Então em Éfeso, Eles busca amor, Ele reivindica amor, Ele faz essa demanda porque Ele é amor. Em Esmirna, Ele busca fidelidade. “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida.” Por que Ele busca fidelidade na assembleia de Esmirna? Porque Ele é a fiel testemunha. Ele não busca nada em Esmirna que Ele não seja para Esmirna. Compreendeu isso irmão? Quando Ele se revela a Pérgamo, a próxima assembleia, Ele se revela como Aquele que tem na boca uma espada afiada de dois gumes. Por quê? Livro de Hebreus, capítulo 4, verso 12, diz que essa espada é para separar, é para dividir alma de espírito, juntas e medulas; o que é carnal, do que é espiritual, o que é terreno, do que é celestial. E Pérgamo era uma assembleia misturada. O que faltava em Pérgamo era separação ou santidade. Por que o Senhor busca santidade em Pérgamo? Porque Ele é o Santo de Deus. E assim nós vamos por todas elas. Quando Ele escreve a Sardes, o que Ele está buscando em Sardes? “Tens nome de que vives, mas estás morto.” “Ele é a ressurreição e a vida.” “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.” Então Ele não busca nada em Sardes que Ele próprio não seja para Sardes, e o que faltava em Sardes era vida. Nas sete assembleias o Senhor apenas busca e reivindica aquilo que Ele próprio é. Ele é o varão, medida de Deus. Essa é a segunda consideração preliminar. A terceira e última antes de entrarmos então diretamente no tema. Se as duas coisas que colocamos são verdades, então a terceira é uma consequência também das duas primeiras. Liderança espiritual é simplesmente a nossa cooperação com o Espírito Santo neste Seu compromisso e atividade. Liderança espiritual é nossa cooperação com esse Líder ( com ‘L’ maiúsculo), o Consolador, o Obreiro de Deus (com o ‘O’ maiúsculo), o Espírito Santo. Nesse que é o seu compromisso e a sua atividade quais sejam: Encher todas as coisas com Cristo e encher Cristo com todas as coisas. Então o que é liderança espiritual? É termos o privilégio de nos postarmos como cooperadores de Deus, chamados por Ele,  “Não fostes vós que escolhestes a mim, eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis muito fruto e o vosso fruto permaneça.” (Jo 15:16) Liderança espiritual é a nossa cooperação com o Espírito Santo no Seu compromisso e na sua atividade de encher Cristo com todas as coisas e todas as coisas com Cristo. Agora irmão, decorrente dessa colocação, se então nós nos achegarmos a Deus, diante do privilégio que temos de sermos os Seus cooperadores, só há uma alternativa, digamos assim para Deus: Deus terá que tratar conosco! Se nos achegarmos a Deus pra cooperarmos com o Seu propósito, Deus terá que tratar conosco para que a nossa medida de Cristo e a nossa estatura espiritual esteja sempre crescendo. E aqui irmão, há uma advertência tão grande para nós todos, porque se isto não acontecer, então brechas serão proporcionadas para aquele que está interessado em destruir tanto a obra de Deus, quanto os servos de Deus, o diabo. Se Deus não tratar conosco essas brechas serão então proporcionadas para que o inimigo destrua a obra de Deus e até mesmo os seus servos. Então essas são as três primeiras considerações pra levarmos aos pés do Senhor e meditarmos nelas. Nenhum de nós temos nenhuma incumbência se não veio do Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser levantado por ninguém a não ser que seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser equipado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser discipulado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Então João 16, o versículo com o qual abrimos esse tempo diz exatamente isso. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará.” Quem nos guia é nosso Líder. “Ele vos guiará a toda a verdade.” E por que Ele tem essa capacidade? Ah! Quanta aplicação preciosa há nesse versículo quando nós transportamos isso para ministério espiritual. Porque esse é ministério do Espírito Santo. Então é dito que esse espírito da verdade, Ele que é o “Líder de Deus” (no sentido, ‘proveniente dEle’)*, Ele vos guiará, e vos guiará a toda a verdade revelando-nos mais das belezas, glória, suficiência de nosso Senhor Jesus. “Ele vos guiará a toda a verdade.” Por quê? Leia de novo com atenção: “Porque Ele não falará por si mesmo.” Percebeu essa nota aí, irmão? Quanto ela é exortativa para nós? Se o nosso ministério confere com o ministério do Espírito Santo, se é o próprio ministério do Espírito Santo que tem encontrado vasos adequados por Sua graça, vasos que Ele mesmo tem forjado, então esses vasos não podem, não devem falar por si mesmos. Quão exortativa é essa colocação pra nós. Não somos pregadores de ideias, de interpretações bíblicas, de doutrinas particulares. “Não falará por si mesmo”. Nós não devemos achar isso ou achar aquilo. Nós não fomos chamados para pregar a nós mesmos, experiências, testemunhos... “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus”, Paulo escreveu assim aos Coríntios (II Co 4:5). Então o Espírito Santo guiaria os que pertencem ao Senhor, como Ele disse, aos Seus nesse discurso de João 16, “a toda a verdade”, porque Ele não falaria por Si mesmo, mas Ele diria tudo o que tivesse ouvido. Aí temos um outro elemento importantíssimo nesse versículo. Como nosso querido irmão nos lembrava ontem à noite, se o que chamamos de ministério ao Senhor e à Sua casa, se baseia em ocasiões em que somos visíveis, então nós somos fracassados. Oséias capítulo 14, verso 5, um lindo verso, mostrando como se cresce na casa de Deus, e como nós podemos pela graça do Senhor nos tornar mais e mais responsivos à forma e os limites como Ele quer nos usar. Aquele verso tão lindo e tão gráfico, o Senhor diz assim à Israel pela boca de Oséias, (Os 14:5) “Eu serei para com Israel como orvalho”, Deus a Fonte da vida. Sem o orvalho, nada de vida na terra. “Eu serei para com Israel como orvalho”. Agora, o que Israel será para o Senhor? Veja o que Ele diz: “E ele crescerá como o lírio e lançará suas raízes como o cedro do Líbano.” Essa é uma planta que não existe nos catálogos botânicos. Da terra pra cima ela tem a aparência de um lírio, da terra pra baixo, grossas raízes do cedro.  Da terra pra cima, uma vida de fé simples e despretensiosa: lírio. Mas, da terra pra baixo, grossas raízes do cedro. Você sabe que segundo os estudiosos, esse cedro pode alcançar até cento e vinte metros de raízes. Ninguém derruba um cedro, mas quando se olha esse cedro da terra pra cima, um lírio frágil que fenece. Como o nosso querido irmão Stephen Kaung disse certa vez: A vida espiritual e o serviço espiritual são naturalmente sobrenaturais, sobrenaturalmente naturais. Então queridos irmãos, se nós não temos tido para com o Senhor esses ouvidos (João 16:13), então nós não temos serviço nenhum a oferecermos nem a Ele, e nem à sua casa. Quando o sacerdote foi ungido, Levítico capítulo 8, o primeiro lugar onde aquela unção, aquele óleo era aplicado, era nos seus ouvidos. A partir daí, na sua orelha direita, a partir daí era aplicado no polegar da sua mão direita e, posteriormente em seguida, no polegar do seu pé direito. Que isto nos fala? Não podemos nos envolver, colocar nossa mão em nada que nós tenhamos ouvido da parte do Senhor. E da mesma maneira com relação aos pés. Não podemos caminhar com nada e nem com ninguém, que de alguma forma não nos tenha sido conduzido e aprovado pelo Senhor da obra. Ouvidos, mãos e pés... (continuação através do áudio da pregação)


Fonte:   (www.amaturidade.com.br)

*Observação pelo editor do blog.
                                                 
Transcrição: Levi Cândido

28 maio, 2017

A VINDA DO SENHOR (C.H.Mackintosh) - Introdução

INTRODUÇÃO


O leitor atento do Novo Testamento encontrará em suas páginas três fatos solenes e significativos colocados diante de si. O primeiro, que o Filho de Deus veio a este mundo e Se foi; o segundo, que o Espírito Santo desceu à terra e permanece aqui; e, o terceiro, que o Senhor Jesus voltará. Estes são os três grandes temas descortinados nas Escrituras do Novo Testamento, e vamos descobrir que cada um deles tem uma dupla aplicação: uma diz respeito ao mundo e outra à Igreja. Ao mundo de uma forma geral, e em particular a cada homem, mulher e criança não convertidos; à Igreja, de uma forma geral, e a cada membro individualmente. É impossível alguém se esquivar do significado destes três grandes fatos naquilo que diz respeito à sua própria condição pessoal e ao seu destino eterno.
É importante notar que não estamos falando de doutrinas — embora não haja dúvida de que existam doutrinas — mas de fatos; fatos apresentados da maneira mais simples possível pelos vários escritores inspirados usados para apresentá-los. Não existe qualquer intenção de adorná-los ou alterá-los. Os fatos falam por si próprios; estão registrados e deixados ali para produzir seu peculiar e poderoso efeito na alma.
1. Antes de tudo, vamos analisar o fato do Filho de Deus ter vindo a este mundo. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna". "O Filho de Deus é vindo". Ele veio em perfeito amor, como a exata expressão do coração e propósito de Deus, de Sua natureza e caráter. Era o resplendor da glória de Deus, a expressa imagem da Sua Pessoa e, mesmo assim, modesto, humilde, bondoso e sociável. Era Alguém que podia ser visto dia após dia caminhando pelas ruas, indo de casa em casa, bom e afável para com todos, acessível aos mais pobres e tomando criancinhas em Seus braços da forma mais terna, gentil e cativante. Era visto enxugando as lágrimas da viúva, consolando o coração contrito e abatido, saciando o faminto, curando o enfermo, purificando o pobre leproso, atendendo a toda sorte de necessidade e sofrimento humano, a serviço de todos os que necessitavam de auxílio e compaixão. Ele "andou fazendo o bem", foi o incansável servo das necessidades humanas. Ele jamais pensou em Si mesmo, ou buscou Seus próprios interesses no que quer que fosse; Ele viveu para os outros. Sua
comida e bebida eram fazer a vontade de Deus, e satisfazer os corações cansados e sobrecarregados dos filhos e filhas dos homens. Seu amável coração sempre fluiu em mananciais de bênçãos para todos os que sentissem a pressão deste mundo triste e contaminado pelo pecado.
Temos aqui, portanto, o maravilhoso fato diante de nossos olhos. Este mundo foi percorrido por aquela bendita Pessoa da qual falamos — este mundo recebeu a visita do Filho de Deus, o Criador e Mantenedor do Universo, o humilde, despojado, amoroso e benigno Filho do Homem, Jesus de Nazaré, Deus sobre tudo e eternamente bendito e, ao mesmo tempo, um Homem absolutamente perfeito, santo e incontaminado. Ele veio em amor para com os homens, veio a este mundo como a expressão do perfeito amor para com aqueles que tinham pecado contra Deus e não mereciam coisa alguma além da perdição eterna por causa de seus pecados. Ele não veio para esmagar, mas para curar; não veio para julgar, mas para salvar e abençoar. O que aconteceu a esse bendito Jesus?
Como o mundo O tratou? O mundo O expulsou! Não O quis! Preferiu um ladrão e homicida em lugar desse Homem santo, bondoso e perfeito. O mundo recebeu o que pediu. Jesus e um ladrão foram colocados diante do mundo e a pergunta foi feita: "Qual desses dois quereis vós?".
Qual foi a resposta? "Barrabás". "Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus. E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás" (Mt 27:20-21). Os líderes e guias religiosos do povo — os homens que deveriam guiá-los pelo caminho direito — persuadiram a multidão pobre e ignorante a rejeitar o Filho de Deus e aceitar um ladrão e homicida em Seu lugar! Leitor lembre-se de que você está em um mundo que é culpado deste terrível ato. E não só isso, mas a menos que você se arrependa e creia verdadeiramente no
Senhor Jesus Cristo, você é parte e porção deste mundo, e está sob toda a culpa que decorre daquele ato. Isto é por demais solene. O mundo todo é culpado de deliberada rejeição e assassinato do Filho de Deus. Para isso temos o testemunho de pelo menos quatro testemunhas inspiradas. Mateus, Marcos, Lucas e João, todos eles registram que o mundo todo — judeus e gentios, reis e governantes, sacerdotes e o povo — todas as classes, seitas e partidos, concordaram em crucificar o Filho de Deus. Todos concordaram em assassinar o único homem perfeito que apareceu neste mundo, a perfeita expressão de Deus — do Deus que é sobre tudo bendito eternamente. Ou consideramos os quatro evangelistas como falsas testemunhas ou admitimos que o mundo, como um todo e em cada uma das partes que o constituem, está manchado pelo terrível crime de ter crucificado o Senhor da glória.
Este é o verdadeiro padrão pelo qual o mundo deve ser medido e pelo qual deve ser medida a condição de todo inconverso deste mundo, seja homem, mulher ou criança. Se eu quiser saber o que é o mundo, basta ponderar no fato de que o mundo é aquele que permanece culpado diante de Deus pelo deliberado assassinato de Seu Filho. Que tremendo fato! Um fato que coloca sua marca no mundo da forma mais solene, e o expõe diante de nossos olhos em toda sua obscuridade. Deus tem uma demanda com este mundo. Ele tem uma questão a ser resolvida com o mundo — uma questão terrível — cuja mera menção deveria fazer os ouvidos dos homens retinir e o coração tremer. Um Deus justo precisa vingar a morte de Seu Filho. Não se trata meramente do fato de ter o mundo aceitado um vil ladrão e assassinado um homem inocente; isto, por si só, já teria sido um ato pavoroso. Mas, não, aquele inocente não era ninguém menos do que o Filho de Deus, o querido do coração do Pai. Que pensamento! O mundo deverá prestar contas a Deus pela morte do Seu Filho — por tê-Lo pregado na cruz entre dois ladrões! Que ajuste de contas será! Quão vermelho será o dia da vingança!
Que esmagamento terrível trará aquele momento, quando Deus desembainhar a espada do juízo para vingar a morte de Seu Filho! Quão vã é a ideia de que o mundo esteja melhorando! Melhorando apesar de manchado com o sangue de Jesus? Melhorando apesar de estar sob o juízo de Deus por causa desse ato? Melhorando apesar de precisar prestar contas a um Deus justo pelo tratamento dado ao Amado de Sua alma, enviado em amor para abençoar e salvar? Que estupidez cega! Que tolice louca! Ah, não! Não pode haver qualquer melhoria até que o mundo seja varrido pela destruição e a espada do juízo tenha feito seu terrível trabalho para vingar o assassinato — o assassinato deliberadamente planejado, e executado com tamanha determinação — do bendito Filho de Deus. Não podemos conceber uma ilusão mais falsa e fatal do que imaginar que o mundo possa algum dia ser melhorado enquanto estiver sob a terrível maldição da morte de Jesus. O mundo que preferiu Barrabás a Cristo não pode conhecer melhoria. Nada há para ele além do devastador juízo de Deus. O mesmo se pode dizer do significativo fato da ausência de Jesus, em relação à presente condição e ao destino futuro do mundo. Mas este fato traz outras implicações. Ele está relacionado à Igreja de Deus como um todo, e ao crente individualmente. Se, por um lado, o mundo expulsou a Cristo, por outro os céus O receberam. Se, de sua parte, os homens O rejeitaram, Deus O exaltou. Se o homem O crucificou, Deus O coroou. Devemos distinguir cuidadosamente estas duas coisas. A morte de Cristo, quando vista como um ato do mundo — o ato do homem — envolve a total e absoluta ira e juízo. Por outro lado, a morte de Cristo, quando vista como um ato de Deus, envolve a total e absoluta bênção para todos aqueles que se arrependem e creem. Uma ou duas passagens da divina Palavra irão provar isto. Vamos abrir por um momento no Salmo 69, o qual apresenta de forma tão clara nosso bendito e adorável Senhor sofrendo nas mãos dos homens e suplicando a Deus por vingança. "Ouveme, Senhor, pois boa é a Tua misericórdia. Olha para mim segundo a Tua muitíssima piedade. E não escondas o Teu rosto do Teu servo, porque estou angustiado; ouve-me depressa. Aproxima-Te da minha alma, e resgata-a; livra-me por causa dos meus inimigos. Bem tens
conhecido a minha afronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de Ti estão todos os meus adversários. Afrontas Me quebrantaram o coração, e estou fraquíssimo; esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei. Deram-me fel por mantimento, e na minha sede Me deram a beber vinagre. Torne-se-lhes a sua mesa diante deles em laço, e a prosperidade em armadilha. Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente. Derrama sobre eles a Tua indignação, e prenda-os o ardor da Tua ira" (Sl 69:16-28). Tudo isso é por demais profundo e solene. Cada palavra desta súplica será respondida. Nem uma sílaba sequer cairá por terra. Com toda certeza Deus vingará a morte de Seu Filho. Ele acertará contas com o mundo — com os homens — pelo tratamento que Seu Filho unigênito recebeu em suas mãos. Acreditamos ser correto insistir nisto para o coração e consciência do leitor. Quão terrível o pensamento de Cristo intercedendo contra as pessoas! Quão espantoso escutá-Lo rogando a Deus por vingança sobre Seus adversários! Quão terrível será a resposta devida ao clamor do Filho ferido! Mas olhemos o outro lado da questão. Abra no Salmo 22, que apresenta o bendito Senhor sofrendo nas mãos de Deus. Aqui o resultado é totalmente diferente. Ao invés de julgamento e vingança, trata-se de bênção e glória, universais e eternas. "Então declararei o Teu nome aos meus irmãos; louvar-Te-ei no meio da congregação. Vós, que temeis ao Senhor, louvai-O; todos vós, semente de Jacó, glorificai-O; e temei-O todos vós, semente de Israel.... O meu louvor será de Ti na grande congregação; pagarei os meus votos perante os que O temem. Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que O buscam; o vosso coração viverá eternamente. Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; e todas as famílias das nações adorarão perante a Tua face. Porque o reino é do Senhor, e Ele domina entre as nações... Uma semente O servirá; será declarada ao Senhor a cada geração. Chegarão e anunciarão a Sua justiça ao povo que nascer, porquanto Ele o fez" (Sl 22:22-31).
Estas duas passagens apresentam, com imensa distinção, os dois aspectos da morte de Cristo. Ele morreu, como um mártir, pela justiça, nas mãos dos homens.
O homem prestará contas disso à Deus.
Mas Ele morreu nas mãos de Deus como uma vítima pelo pecado. Este é o fundamento de toda bênção para aqueles que creem no Seu nome. Seus sofrimentos como mártir desencadeiam a ira e o juízo sobre um mundo ímpio, enquanto Seus sofrimentos expiatórios abrem as fontes eternas de vida e salvação para a Igreja, para Israel e para toda a criação. A morte de Jesus consuma a culpa do mundo, mas assegura a aceitação da Igreja. O mundo está manchado, enquanto a Igreja está purificada por meio do sangue derramado na cruz.
Esta é a dupla aplicação do primeiro de nossos três grandes fatos do Novo Testamento. Jesus veio e Se foi — veio, pois Deus amou ao mundo — foi embora, porque o mundo odiou a Deus. Se Deus perguntasse — e Ele perguntará — "o que vocês fizeram com Meu Filho?", qual seria a resposta? "Nós O odiamos; nós O expulsamos e O crucificamos. Preferimos um ladrão a Ele".
Mas, bendito seja eternamente o Deus de toda graça, o cristão, o verdadeiro crente, pode levantar os olhos para o céu é dizer: "Meu Senhor ausente está lá, e está lá por mim. Ele Se foi deste pobre mundo, e Sua ausência torna todo o cenário ao meu redor um deserto moral — uma desolada ruína".
Ele não está aqui. Isto coloca no mundo, no discernimento de todo coração leal, o carimbo de um caráter inconfundível. O mundo não queria a Jesus. É o suficiente. De agora em diante já não precisamos nos espantar com qualquer história de horror. O noticiário policial, os processos nos tribunais, as estatísticas de nossas cidades e vilas já não precisam nos surpreender. O mundo que foi capaz de rejeitar a
divina personificação de toda a bondade humana, e aceitou um ladrão e homicida em Seu lugar, provou sua torpeza moral em um grau que jamais poderá ser ultrapassado. Será que é motivo de espanto quando descobrimos a falsidade e crueldade do mundo? Ficamos surpresos quando descobrimos que este mundo não é confiável? Se isto ocorrer, está claro que não interpretamos corretamente a ausência de nosso bendito Senhor. O que prova a cruz de Cristo? Que Deus é amor? Sem dúvida. Que Cristo deu Sua preciosa vida para nos salvar das chamas
de um inferno sem fim? Bendita verdade, seja dado total louvor ao Seu nome inigualável! Mas o que a cruz prova em relação ao mundo? Que sua culpa está consumada e seu juízo determinado. O mundo, ao pregar na cruz Aquele que era perfeitamente bom, provou da forma mais irrefutável que é perfeitamente mau.
"Se Eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado. Aquele que Me odeia, odeia também a Meu Pai. Se Eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e Me odiaram a Mim e a Meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-Me sem causa" (Jo 15:22-26).
2. Porém devemos agora nos ocupar por um momento com nosso segundo e importante fato. O Espírito Santo de Deus desceu a este mundo. Já se passaram mais de dezenove séculos* desde que o bendito Espírito desceu do céu, e Ele permanece aqui desde então. Trata-se de um fato estupendo. Existe uma Pessoa divina neste mundo e Sua presença — assim como a ausência de Jesus — tem uma dupla aplicação: uma está relacionada ao mundo, outra tem a ver com cada homem, mulher e criança aqui; está relacionada à Igreja como um todo e a cada membro dela em particular. No que diz respeito ao mundo, esta excelsa testemunha desceu do céu para convencer o mundo de seu terrível crime de haver rejeitado e crucificado o Filho de Deus.
No que diz respeito à Igreja, Ele veio como o bendito Consolador, para ocupar o lugar do Jesus ausente e confortar, com Sua presença e ministério, os corações do Seu povo. Assim, para o mundo o Espírito Santo é um poderoso Persuasor; para a Igreja Ele é um precioso Consolador. [* N. do T.: O autor viveu no século 19]
Uma ou duas passagens das sagradas Escrituras fundamentarão estes pontos no coração e mente do leitor piedoso que se sujeita em humilde reverência à autoridade da divina Palavra. Vamos abrir no capítulo 16 do Evangelho de João. "E agora vou para Aquele que Me enviou; e nenhum de vós Me pergunta: Para onde vais? Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza. Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando Eu for, vo-lo enviarei. E, quando Ele vier, convencerá (elegxei) o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para Meu Pai, e não Me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado" (Jo 16:5-11).
Mais uma vez, em João 14 lemos: "Se Me amais, guardai os Meus mandamentos. E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece; mas vós O conheceis, porque habita convosco, e estará em vós". (Jo 14:15-19).
Estas passagens comprovam a dupla aplicação da presença do Espírito Santo. Não ousamos tratar este assunto apenas com esta breve introdução, mas sabemos que o leitor será incentivado a estudá-lo por si mesmo à luz das Sagradas Escrituras, e estamos convencidos de que quanto mais estudá-lo, maior será a profundidade e a importância prática de seu interesse. Oh, que pena que isto seja tão pouco compreendido, que os cristãos vejam tão pouco daquilo que está envolvido na presença pessoal do Espírito eterno, o Espírito Santo de Deus, neste mundo — suas solenes consequências relacionadas ao mundo e seus preciosos resultados para com a assembleia como um todo e para cada membro em particular.
Oh, que aqueles que fazem parte do povo de Deus em todo lugar possam ser guiados a uma compreensão mais profunda destas coisas; que possam considerar aquilo que é devido à divina Pessoa que habita neles e com eles; que possam ter o zeloso cuidado de não "entristecer" o Espírito Santo em seu andar ou "extingui-Lo" em suas assembleias públicas!





Extraído de “COMENTÁRIOS SOBRE A VINDA DO SENHOR” de C.H.Mackintosh


22 maio, 2017

O EVANGELHO DE CRISTO QUE SALVA O HOMEM (Paul Washer)


Vamos abrir nossas Bíblias na epístola aos Romanos, capítulo 3, nós leremos os versículos 23 a 27: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé.”

Vamos orar ao Senhor. “Pai, eu me coloco diante do Senhor em nome do Teu Filho, eu sei que à parte de Jesus, eu não tenho nada contigo, mas eu sei que eu estou em Cristo, então eu peço em nome dele para que Tu fales ao Teu povo nesta noite, que Tu os ensines, para que ouçam, para que sejam conformados à imagem de Cristo e, Pai, para aqueles que estão aqui esta noite e não te conhecem, eu oro para que nessa noite nasçam de novo, para que eles possam ser tornados vivos pelo poder do Espírito Santo. Em nome de Jesus, amem.”

Por favor, assentem-se! Alguns anos atrás eu pregava em uma igreja na Irlanda, e durante o louvor todos cantavam de todo o coração, eles gritavam, literalmente, louvores ao Senhor. Mas quando eu abri as Escrituras e comecei a ensinar acerca de Jesus, eles ficaram entediados, perderam o interesse. Eles queriam apenas um Deus que os abençoassem, um Deus que os fizessem prósperos. Estavam mais preocupados com o que poderiam aprender de Deus, materialmente falando, e não espiritualmente falando. Amavam benção, mas não amavam o Abençoador. Eu espero coisas melhores pra vocês nessa noite. Enquanto estávamos cantando agora a pouco, um homem atrás de mim gritou com todos os seus pulmões, eu quase tive um ataque cardíaco, mas também me encheu de alegria, eu estava tão feliz. A Bíblia nos ordena para gritarmos ao Senhor. Amém. Mas o que eu anelo é o seguinte, que hoje à noite ao olharmos para a cruz, e quem sabe ao fazermos isso, aprenderemos algo sobre a cruz que ainda não sabemos, que nos leve a amar a Jesus, por quem Ele é, e o que Ele fez por nós, de forma que, mesmo que estivéssemos apodrecendo numa cadeia, morrendo de fome e de sede, ainda possamos cantar louvores ao Seu nome, porque amamos a Ele, por quem Ele é, e o que Ele fez. Se enquanto eu estiver pregando, você ficar desinteressado, só há duas possibilidades: Eu não estou pregando a verdade, ou a segunda, você não ama a verdade, você ama a excitação. Mas você ama a verdade? É a questão! Vamos começar. Romanos 3:23  “pois todos pecaram...” Todos pecaram. Para uma pessoa se tornar cristã ela precisa começar reconhecendo quão santo Deus é, e ela precisa enxergar quão terrível é o pecado. E, se você está verdadeiramente crescendo como cristão, você vai começar a odiar ao pecado mais, mais e mais. Se você confessa a Jesus como Senhor, mas você não está crescendo no seu ódio para o pecado, provavelmente você não é cristão. Então vamos contemplar o pecado por um momento para que nós vejamos como o pecado é feio. Nós precisamos entender quão belo, quão maravilhoso Deus é, por isso, uma das coisas mais importantes que podemos estudar na igreja, na Bíblia, são os atributos de Deus. Você já fez isso? Você conhece a Deus? Você pode abrir a sua Bíblia e me mostrar quem é Deus?  Quanto mais você enxerga dele, mais luz você terá e mais o pecado será exposto, mais você poderá confessá-lo, e mais limpo você se tornará. Precisamos ter o conhecimento de Deus porque o pecado é terrível. Quão terrível ele é? Adão pecou uma única vez e o universo todo foi lançado na corrupção. Quando você peca contra Deus, você não está pecando contra o prefeito de uma cidadezinha qualquer, ou até mesmo contra a presidenta do Brasil, você está desobedecendo o Deus do universo, você está levantando o seu punho cerrado no rosto dele. O pecado é terrível! Eu vou dar uma ideia pra vocês. No dia da criação, Deus ordenou às estrelas que se colocassem em certos lugares e todas O obedeceram. Ele ordenou aos planetas que se movessem em certas órbitas, e todos O obedeceram. Ele disse para as montanhas que se elevassem, e elas O obedeceram. E Ele disse para o mar: “Você chegará até aqui e daqui você não passa”, e o mar obedeceu a Deus. E aí Ele disse pra você pra que venha e você disse – “Não!” Você deveria ter medo do pecado. Vamos ver quão pecaminoso o homem é antes de Ele vir a Cristo. [...] Vamos para Gênesis por uns instantes. Capítulo 6, versículo 5. “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;“ No texto original ele enfatiza o fato do coração do homem ser continuamente ímpio. Eu quero aplicar isso aqui antes do pecador vir a Cristo. Antes de um ser humano vir a Cristo para ser salvo, todo o pensamento do seu coração desagrada a Deus, porque não é dirigido a Deus, para a glória de Deus. Se você está aqui nesta noite e você está sem Jesus Cristo, então nada do que você está fazendo é agradável a Deus. E tudo o que você faz só se soma pra sua condenação. Quão maligno é o seu coração? Ele diz aqui que ele é maligno continuamente. Você diz: “Ah, mas eu não acredito nisso!” Então vamos fazer um teste: Vamos dizer que aqui nesta noite eu pudesse extrair o seu coração, todos os pensamentos que você já teve na vida até ao presente momento, e eu pudesse colocar todos esses pensamentos num DVD e eu conseguisse projetar esses pensamentos num telão, você sairia correndo desse prédio e você nunca teria coragem de colocar a sua cara ali na porta de novo. Porque você já pensou coisas tão ímpias que você não pode sequer partilhar com seu amigo, sua amiga tão próxima. Você ficaria envergonhado diante de nós, embora nós sejamos iguaizinhos a você. Então, de que tamanho seria a sua vergonha? De que tamanho será quando você estiver diante de um Deus Santo um dia? Se esses pecados não estiverem cobertos, a sua vergonha será impossível de ser descrita. E quando Deus te enviar para o inferno, toda a criação ficará de pé e vai louvar a Deus porque Ele te julgou. Isso é sério gente! Isso é coisa pra gente pensar, é como câncer que mata o corpo. O pecado vai matar a sua alma pra sempre no inferno. Você está reto diante de Deus? Se você morrer nesse momento você tem segurança bíblica de que você estaria reto diante de Deus? O coração do homem é pecaminoso. Gênesis 8, versículo 21: “E o SENHOR aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade;” Pecado não é apenas alguma coisa que a gente faz, é algo que é parte de nós. A bíblia diz que o homem nasce em pecado.  Eu tenho noticias pra você: O seu bebê não é inocente, o seu bebê é um pecador! Seu filhinho, sua filhinha não é inocente, mas um rebelde. Eu ouço cânticos que são escritos hoje: “Se crianças apenas fossem as que nos liderassem o mundo teria paz”. Não! Nós entraríamos na terceira guerra mundial, isso sim! Eu posso provar isso. Pegue uma criança, cinco anos de idade, coloque-a numa sala e coloque todos os brinquedos que existem diante dela, deixe ela brincar com esses brinquedos até que você descubra quais os brinquedos preferidos dela. E você descobre um brinquedo que ela odeia por algum motivo, pegue o brinquedo que ela odeia e ponha na mão dela, ela joga. Dê pra ela de novo, ela atira de novo. Aí traga uma outra criança para aquele recinto, faça essa segunda criança sentar na frente da primeira e dê para essa segunda criança o brinquedo que aquela primeira criança odeia. E o que é que vai acontecer? Aquela primeira criança quer o primeiro brinquedo que até ali ela odiava. Ela não vai querer nenhum outro brinquedo e se ela tivesse força suficiente ela seria capaz de matar para obter aquele brinquedo. Você acha que eu estou exagerando? Leia os jornais. Nós somos pecadores rebeldes diante de Deus e nós não conseguimos nos libertar disso. Eu quero partilhar uma outra coisa com você. Eu quero contar uma história. Eu estava em uma igreja em uma certa feita e as pessoas estavam se levantando para dar seus  testemunhos. E aí uma pessoa diz: “O diabo me fez fazer isto”. E aí outra diz: “O diabo me fez fazer aquilo”. E eles continuaram falando sobre como o diabo estava fazendo deles meras vítimas. Aí eu me levantei pra pregar e disse para eles: “Quando eu estava chegando na igreja eu tive uma visão: Sentado lá nos degraus, antes de entrar na igreja*, o próprio diabo estava lá e ele estava chorando. E eu disse pra ele: Por que você está chorando? – “Porque todo esse pessoal está me culpando pelo que eles estão fazendo!” O diabo poderia tirar umas férias e ir lá para Aruba e você ainda estaria pecando, porque nós somos pecadores. É por isso que nós precisamos de Cristo. Você não precisa meramente de religião, você não precisa meramente de uma igreja, você precisa de um redentor que derramou o seu sangue por você e somente o sangue dele pode purificar você dos seus pecados. E apenas o Seu Espirito pode lhe dar poder sobre o pecado. [...] Livro de Isaías, capítulo 64, versículo 6. “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam.“ Nós nos tornamos impuros, diz o texto. Essa palavra no hebraico pode se referir a coisas bastantes terríveis, uma delas é tão ruim que eu não posso nem sequer mencionar aqui, mas a outra é a lepra. Você já viu um leproso? A minha avó trabalhou com leprosos em Manaus, lá na década de 1930. Eu já tive em colônias de leprosos; é uma coisa terrível. Porque não apenas a carne apodrece, mas ela é cheia de infecção e de pus; ela cheira mau! Então vamos supor que tenha um leproso aqui nesta noite. Lá na rua já daria pra sentir o cheiro dele. Mas vamos supor que nós queremos fazer alguma coisa pra torná-lo mais apresentável. Então nós compramos a roupa mais caprichada que existe, branquinha, sem qualquer mancha. E nós o enrolamos nesse tecido branco. Por um instante ele vai parecer alguém apresentável. Mas o que vai acontecer? A corrupção do seu corpo vai vazar por aquele tecido branco. Isso é o que acontece quando uma pessoa tem uma religião sem Jesus. Ele recebe religião sem o Espírito Santo. Por um instante ele tem aparência bonita, mas a corrupção da sua alma vai ser externada eventualmente. É por isso que você não pode se salvar pelas suas boas obras, porque fora do sangue de Jesus o seu coração haverá de corromper tudo o que você fizer. É o que a Bíblia ensina. Vamos voltar à carta aos Romanos. “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. O que isso significa? “Carecem da glória de Deus”(?) Significa o seguinte: Você não foi feito pra você mesmo, você foi feito para Deus. Você foi criado para a glória Dele. E o motivo porque este mundo está tão torcido, é porque o ser humano faz tudo para a sua própria glória. E essa é uma das ofensas possíveis contra Deus. Aliás, em Romanos, capítulo um, nós temos uma longa lista de pecados terríveis, mas o pior deles é o seguinte: “Embora conhecessem a Deus, eles não O glorificaram como Deus, nem Lhe foram gratos.” Fazer as coisas pra nossa própria glória significa almejar, tomar o lugar do trono de Deus - é praticar os atos do nosso pai, o diabo. E nós nos tornamos miseráveis, doentes. Mesmo para o cristão, você precisa entender o seguinte, porque mesmo como cristãos genuínos, podemos começar a viver pra nossa própria glória, e quando fazemos isto, nós fedemos. É pra Ele que temos que viver, tudo é pra Ele. Como João Batista disse: “Importa que eu diminua, Ele é que deve crescer”. Nós não somos nada, Ele é que é tudo, e nós queremos que seja assim. “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Agora nós vamos chegar às boas novas, versículo 24. Ele está falando aqui sobre cristãos, verdadeiros cristãos. Eu quero alertar algumas coisas pra vocês: Mesmo nas melhores igrejas haverá membros que estão perdidos. São como joios semeados no meio do trigo. São como bodes no meio das ovelhas. Você percebe que talvez haja pessoas aqui entre nós nesta noite que não conhece a Cristo, embora sejam membros da igreja? Mas o que é pior, Cristo não os conhece! E aí você diz: “Irmão Paul, como é que eu vou saber?” Você está confiando somente em Cristo, ou você está confiando em si mesmo? Segundo, eles serão conhecidos pelos seus frutos que demonstram. Você ama o mundo? É porque você é do mundo! Você gosta de estar com os ímpios? É porque você é ímpio! E você pode esconder do melhor dos profetas, mas você não consegue esconder isso de Deus! Examine-se! Aonde você está nesta noite? Você está usando uma máscara? Você já enganou todo o mundo na igreja, mas você não enganou a Deus! O Espírito dele sonda você e Ele conhece você! Mas para o verdadeiro cristão Ele diz no versículo 24: “Sendo justificados gratuitamente por Sua graça”. O que significa ser justificado? Você reconhece que esse é um dos conceitos mais importantes da Bíblia? O que significa? Eu vou dizer o que não significa. Não significa o seguinte: Não significa que a pessoa que crê em Jesus, no momento em que crê ele se torna uma pessoa perfeitamente justa, ele é totalmente transformado que ele  nunca mais peca. Não é o que significa essa palavra, porque mesmo crentes ainda pecam. Mesmo que já tivéssemos sido tremendamente transformados, ainda teremos que lutar contra a carne, e contra o mundo e contra o diabo. Então o que 'justificado' significa? É um termo jurídico, é um termo forense. Significa o seguinte e é maravilhoso: No momento em que o pecador verdadeiramente crê em Cristo, do trono de Deus, Deus declara que essa pessoa está juridicamente reta diante Dele pra sempre, e Deus trata essa pessoa como juridicamente reta, justa. Não apenas isso, você sabe que Jesus morreu por você, mas você sabia que Ele vive por você? “Sim, eu sei que Ele ressuscitou dos mortos”. Não, estou falando de outra coisa. Jesus viveu uma vida perfeita diante do trono de Deus. No momento que uma pessoa crê em Jesus, ela é declarada juridicamente reta, justa diante de Deus e a vida perfeita que Jesus viveu é imputada, é creditada a essa pessoa. Esse crente se torna vestido com a justiça de Cristo. Eu não estou falando do pastor aqui, eu estou falando do novo convertido. No momento em que você crê em Cristo, você é declarado reto diante de Deus, você é tratado como justo diante de Deus e você é vestido com a perfeita vida que Jesus viveu, porque Jesus é maior do que José. Por que eu disse isso? José tinha uma túnica de muitas cores que ele não estava disposto a partilhar com seus irmãos, mas Jesus tem uma túnica de justiça infinita e Ele veste cada um dos seus irmãos e irmãs com essa túnica de justiça. [...] Vocês conseguem imaginar, você está vestido na justiça de Cristo! É absolutamente maravilhoso! Jeová é escudo e esse escudo é a justiça de Cristo! Quando você olha para vida cristã, você tem que olhar para essa vida com a ideia de esfera, círculos. Você estava em Adão, você estava na condenação, você estava na morte, você estava na corrupção, mas agora você está em Cristo, você está em justificação, você está na vida, você está na justiça, você está livre e você é amado. [...] É maravilhoso! É por isso que nada poderá nos roubar de nosso gozo. Eu estou salvo! Eu fui declarado justo, é absolutamente maravilhoso! Mas veja o versículo 24, como é que nós somos justificados? Como uma dádiva - “Gratuitamente por sua graça”, diz o texto. Isso é quase redundância, é como se ele tivesse repetindo o que ele tem a dizer. Por quê? É porque é difícil para nós aceitarmos, crermos, que uma salvação tão grandiosa pudesse ser de graça. Mas também por causa do nosso orgulho. O homem quer se salvar sozinho. Sabe por quê? Porque ele quer ser maior do que Deus, ele quer trabalhar na salvação, ele quer ganhar a salvação de forma que Deus se torne o seu devedor. “Deus, Tu me deves!” Deus te deve apenas uma coisa: o inferno! É isso o que você conseguiu ganhar. Uma vez eu estava orando na frente de uma igreja, havia várias pessoas ali e um jovem chegou ao meu lado e ele estava orando e ele disse: “Deus, eu quero só que o Senhor me dê o que eu mereço”. Eu peguei, agarrei ele, eu virei a cabeça dele para o outro lado e eu disse para ele: “Nunca ore assim de novo, porque tudo o que você merece, meu jovem, é o inferno!” Misericórdia é quando Deus não nos dá o que nós merecemos. “Justificados gratuitamente”. Essa expressão “gratuitamente” é traduzida na palavra no grego “Dórean”. Essa palavra é importante porque ela é usada em outra passagem e ela nos dá uma ideia do que Paulo está escrevendo. No evangelho de João existe uma profecia do Antigo Testamento que diz o seguinte: “Eles me odiaram sem motivo” (Jo 15:25). O texto está se referindo a Cristo que, aqueles que O odiavam, não tinham motivos para odiá-Lo. Jesus jamais deu um motivo pra quem quer que seja odiá-Lo. A mesma palavra é usada aqui e significa o seguinte: Você nunca deu a Deus um motivo, uma razão para te salvar, você só deu para Deus motivos para te condenar. Mas Ele te salvou não por causa de você, mas a despeito de você. Em Deuteronômio 7, ele usa uma frase para trazer para nós um pensamento muito forte e o que acontece nesse texto é o seguinte, é como se Israel tivesse perguntado a Deus: “Por que o Senhor nos amou?” E Deus responde: “Eu te amei porque eu te amei”. E o que Ele está dizendo é o seguinte: “Não teve nada haver com você, teve tudo haver comigo, quem Eu sou!” Isso é fantástico, é absolutamente lindo! Nós somos como aquele bebê que o profeta fala que está ao lado da estrada, completamente abandonado, esperneando, que está, na verdade, se arrastando no seu próprio sangue, um bebê abandonado, simplesmente esperneando ao lado da estrada, coberto de sangue. As pessoas passam por ele, ninguém quer aquele bebê e por um bom motivo: ele é repugnante! Todos passam por ele, e aí Deus chega e Ele aponta e Ele diz: “Esse nasceu em Sião, eu escolhi este para mim mesmo e eu vou limpá-lo, purificá-lo, e eu o cobrirei com veste de justiça e ele será uma beleza para o mundo inteiro contemplar”. Meus queridos, isso é graça! Não há motivo pelo qual Deus deveria ter salvo você, mas Ele O fez por Ele mesmo. Mas agora nós chegamos ao maior problema existente na Bíblia. Eu não estou exagerando. Eu vou dizer para vocês o que a Bíblia toda diz respeito, a razão para tudo. Qual é? Eu vou dar algumas ilustrações antes de responder. Uma vez eu estava com um grupo  de universitários, eu estava ensinando a Bíblia e eles estavam rindo. Então eu quis captar a atenção deles, eu disse: “Alunos, preparem-se! Eu vou contar para vocês a verdade mais aterrorizante que existe na Bíblia. Ela é tão aterrorizante que talvez alguns de vocês até deveriam sair antes de eu falar, porque vocês não vão ter a capacidade de arcar com o que eu vou falar. Estão prontos?” Eles disseram: “Sim!” Eu disse: “Tudo bem, é o seguinte: A verdade mais aterrorizante da Bíblia - Deus é bom! Pense!” Eles começaram a rir... “Isso aí são boas noticias, qual é o problema com esta noticia? Qual é o problema com isso?” -“Ouçam o que eu estou dizendo: Deus é bom e você não é, então o que um Deus bom faz com gente como você, se Ele é bom? Ele precisa julgar pessoas assim e lançá-los no inferno!” Agora ouçam o seguinte: Suponhamos que você vá para casa nesta noite e alguém matou toda a sua família, e o assassino ainda está lá no recinto com sangue nas mãos, você vê, você o agarra,  você consegue dominá-lo, jogá-lo no chão, você o amarra, você chama a policia e a policia o leva preso. Mas certo dia ele chega ao tribunal, ele está diante do juiz e ele é completamente culpado e o juiz olha para ele e diz o seguinte: “Eu sou um juiz muito amável e eu sou cheio de compaixão, e então você está livre para ir, eu te perdoo vá!” Como é que você vai reagir a isso? Você vai dizer que aquele juiz era bom? Não, você vai dizer que aquele juiz é corrupto. Esse é o problema no meu país e no seu? Nós dizemos que os juízes são corruptos, eles não trazem justiças às pessoas, um juiz deve fazer o que é correto. Você já leu Provérbios 17:15, sabe o que diz: “O que justifica o perverso é abominável ao Senhor.” Pense, a palavra de Deus não pode ser violada. Em Romanos 3, nós estamos muito felizes com o que vimos. Por quê? Porque vimos ali que Deus justifica o ímpio, mas em Provérbios 17, diz que qualquer um que justifica o perverso é uma abominação ao Senhor. Então como é que nós fazemos as duas coisas conjuminarem? Esse é o maior problema da Bíblia. O evangelho é a respeito disso. Se Deus é justo, Ele não pode perdoá-lo. Eu já ouvi evangelistas dizerem o seguinte: “Em lugar de Deus ser justo com você, Deus foi amável, amoroso.” Esse é um problema - então o amor de Deus é injusto? Deus tem que ser justo mesmo quando Ele é amoroso. Ele precisa manter sua justiça, e como é que Ele consegue fazer isso? Ou como Paulo diz aqui, como Ele pode ser justo e o justificador do ímpio? A resposta se encontra em duas palavras, “redenção”, e no versículo 25 “propiciação”. Redenção, o que significa? Significa pagar um preço para libertar um cativo, para libertar um escravo. Quem é o escravo? Nós somos! Quem é a redenção? Jesus é o Redentor e a sua própria vida é o preço do resgate. Mas a pergunta é a seguinte: Para quem Ele pagou esse resgate? Havia um grande fariseu na igreja primitiva que dizia que Jesus morreu para pagar ao diabo, e essa heresia continua hoje. Isso não é bíblico! A verdade é que o resgate nos liberta dos poderes do diabo, mas não pagando ao diabo. Para quem Ele fez o pagamento? Ele fez o pagamento ao próprio Deus. O que você precisa entender é o seguinte: A justiça de Deus exigia satisfação por todos os crimes que você cometeu, e já que você não tinha como satisfazer a justiça de Deus, você estava debaixo da lei, condenado. E, nesse sentido, o diabo tinha poder sobre você. Mas Cristo, quando morreu, o pagamento foi feito para satisfazer a justiça de Deus e, para o povo de Deus, a justiça foi totalmente satisfeita até ao último centavo. Então o pagamento foi feito a Deus. Então veja o que você precisa entender: Quando o pagamento foi feito a Deus, a justiça de Deus foi satisfeita. Mas, o que mais? A ira do Deus todo poderoso foi pacificada de forma que o que crê jamais experimentará novamente a ira de Deus, e mesmo quando Deus disciplina o crente, e Ele fará isso, Ele o fará em amor e nunca em ira. Vamos continuar, nós estamos chegando na parte mais importante. “A quem Deus propôs no seu sangue como propiciação”. Propiciação é um sacrifício que satisfaz a justiça e a torna possível um Deus justo perdoar o pecador e ainda continuar justo porque o próprio Deus fez o pagamento. Eu quero que vocês entendam a cruz. Pense no seguinte: Jesus está na cruz, Ele clama: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Ouçam o que Ele está dizendo: Jesus está dizendo que Deus O abandonou. O que isto significa? Marque aqui em Romanos 3, e vamos rapidinho para o livro de Salmos 22, versículo 1. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?” Está vendo? Jesus clama na cruz as palavras do Salmista - a reclamação dele, digamos. “Por que me desamparaste?” Versículo 2: “Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.” Por quê? Versículo 4, ele dá um argumento. “Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste.” Não houve um momento sequer que um justo clamou ao Senhor – está dizendo o salmista -, que o Senhor não ouviu. “Mas eu sou o Teu Filho e eu clamo ao Senhor e Tu me abandonaste!” Por quê? Quais as respostas? Versículo 3: “Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel.” Versículo 6: “Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.” Quando Cristo estava sobre a cruz, todos os pecados do Seu povo foram atirados sobre os ombros Dele. Você e eu somos ímpios por nós mesmos, não somos santos, e por causa disso nós estávamos separados de Deus. Para terminar com essa separação alguém tinha que morrer no nosso lugar, separados que estávamos de Deus. Jesus então carregou os nossos pecados e Ele foi separado de Deus em nosso lugar. Lembra-se de justificação, o que significa? No momento em que cremos em Cristo, Deus nos declara legalmente justos diante dele, mesmo que continuemos imperfeitos, mesmo que continuemos pecando. Deus nos declara perfeitamente justos, retos diante dele e Ele nos trata perfeitamente retos diante dele. Como é que Ele faz isso? Porque na cruz Ele legalmente declarou Jesus culpado e Ele tratou Jesus como culpado. Ele se separou do Seu único Filho amado e aí Deus amassou o Seu Filho debaixo da força total da sua ira. Toda ira que deveria ser derramada sobre você foi derramada sobre o Filho. Você já leu em Isaías? “A Deus agradou moê-Lo”. Vocês se lembram de Jesus no Getsêmani? Ele orou três vezes: “Passa de mim esse cálice.” Que cálice era esse? Muitos pensam se referir a cruz romana, ou ao chicote, ou a coroa de espinhos. Não! Depois que Jesus ressuscitou dos mortos, os próximos trezentos anos, milhares de cristãos foram crucificados e o testemunho da história é que eles iam para a cruz cantando hinos com muito júbilo. Então você vai me dizer que crentes foram crucificados com alegria, mas o Capitão da salvação deles está orando no jardim, está suando gotas de suor mistos com lágrimas, será que Jesus tinha medo de uma cruz romana? Não! Então o que é que Ele estava pedindo? Vá para casa, procure a palavra “cálice” e você vai achar no livro de Salmos e na profecia de Jeremias, especialmente, que o cálice representa a ira do Deus todo poderoso. O texto é mais ou menos o seguinte: Por causa da impiedade da rebelião das nações, eu forçarei as nações a beberem o cálice da minha ira e eles vão simplesmente ser destruídos, eles vão morrer! Na cruz, Jesus bebeu esse cálice, o cálice da ira de Deus, e Ele o bebeu e quando se virou esse cálice, não sobrou uma gota sequer, porque Ele bebeu esse cálice completo pelo Seu povo, e agora nós estamos livres da ira de Deus. Para fazer isso, Jesus tinha que ser homem, porque o sangue de touros e bezerros não podem trazer perdão para os nossos pecados, mas para pagar aquele preço tinha que ser mais do que um mero homem. Por quê? Ele tinha que ser Deus. Por quê? Porque apenas Deus é Salvador e Ele não partilha desse titulo com quem quer que seja. Se Jesus é nosso Salvador, então Jesus é perfeitamente Deus. Por que mais Ele seria Deus? Reconhecendo quão pecadores nós somos, você confiaria em outra pessoa para te salvar a não ser Deus? Outro motivo: Quem pode arcar com o peso da ira de Deus e novamente se levantar? Ele tinha que ser divino. Ele sofreu a ira de Deus como homem e a divindade dele não fez como que a coisa fosse mais fácil: a sua divindade O manteve pra que Ele pudesse continuar sofrendo a ira de Deus no seu todo. Por que Ele tinha que ser Deus? [...] Como é que um homem pode sofrer algumas poucas horas na cruz e salvar com isso uma multidão de homens de uma eternidade no inferno? Como é que Ele consegue fazer isso? O motivo é o seguinte: Porque esse tal homem, Ele valia mais do que todos os homens somados. Ele é o Salvador de valor infinito, e assim que Ele morreu por nós, bem antes dele morrer, Ele disse: “Está consumado!” É um termo de negócios; completamente pago, quitado. No terceiro dia (gente, eu não preguei o evangelho ainda não, porque se nós tivéssemos um Salvador morto, nós não temos Salvador), no terceiro dia, Ele ressuscitou dentre os mortos. Romanos nos diz que isso foi a declaração pública de Deus que Jesus é o Seu Filho – Romanos um, Romanos quatro. A ressurreição de Cristo é a declaração pública de Deus que Ele aceitou o pagamento de Cristo em nosso favor. Livro de Atos diz que a ressurreição de Jesus Cristo é a declaração de Deus que não somente esse mundo tem um Salvador, Ele tem um Rei e Ele tem um Juiz. O que significa você e eu separados de Deus, mesmo agora nesta terra, embora tenhamos sido reconciliados, embora sejamos filhos de Deus, nós ainda não experimentamos toda a glória que nos aguarda. Então como é que nós sabemos que essa glória nos aguarda? Voltamos ao livro de Salmos e nós vamos terminar aqui. Nós sabemos haver uma ressurreição porque Ele ressuscitou, e nós sabemos que iremos ascender à glória porque Ele ascendeu à glória. Quando Ele ressuscitou dos mortos, quatro dias mais tarde, quarenta dias depois, Ele subiu aos céus, à plenitude de Deus, sim, mas nunca se esqueça: perfeitamente homem também. Nosso irmão, nossa carne, sim, nossa carne, nosso irmão, veja o que Ele fez como Deus - é o que eu quero enfatizar -, Ele fez isto como homem. Ele ascende aos céus, Ele chega aos portais da glória e o que Ele grita é o seguinte, Salmo 24:7 “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória.” Todo o céu estremeceu nesse momento, os anjos estão correndo para as muralhas, eles estão procurando: “Quem é este?” Veja o que o texto diz, versículo 8: “Quem é o Rei da Glória?” Eles estão fazendo uma pergunta: “Que homem chegou até aqui, que homem ousaria clamar para estes portais, quem ousaria tocar no fecho desta porta, ninguém chegou até aqui até agora, ninguém jamais clamou antes e nunca ninguém ordenou. Quem é este Rei da glória?” E Jesus estica sua cabeça e diz: “O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, porque o Rei da Glória chegou!” Glória a Deus! O Rei chegou e aqueles portais se escancararam. E pela primeira vez em todo o tempo e toda a história ali estava um homem. Ele não estava ali por graça, Ele estava ali porque Ele ganhou esse direito. Ele mereceu aquilo, e todos os anjos se curvaram diante dele, e sem sequer pedir, Ele vai direto ao trono de Deus e Ele se assenta à direita do Seu Pai, e aí é o Pai que diz: “Está consumado!” E Jesus responde: “Está consumado sem sombra de dúvida!”. Ele fez isso para a glória de Deus e Ele fez isso por você! O que é que Deus tem a dizer sobre tudo isto? Ele ordena, Ele não pede – Ele ordena –, que todos os homens em toda a parte se arrependam, que eles reconheçam a sua rebelião contra Deus, que eles joguem fora suas armas nesta luta contra Deus e que eles confiam somente em Cristo Jesus. E aqueles que o fizerem herdarão a vida eterna, e aqueles que não o fizerem são jogados numa eternidade de inferno. Onde você está? Como você está? Você diz que você é um cristão, eu espero que você seja. Mas eu quero dizer o seguinte para você: Jesus disse que no dia do juízo “muitos chegarão diante de mim e dirão: “Senhor, Senhor”, e Ele dirá para essas pessoas “apartai-vos de mim, eu nunca vos conheci”. Eu poderia chegar à casa branca e pegar aqueles portões e tentar entrar à força – é claro que a policia vai me prender -, e se eu disser pra policia, “Espere aí, eu conheço o presidente”, ainda assim eles vão me prender - eu estou condenado -, a menos que o presidente venha e ele diga: “Eu conheço o Paul Washer”. Na verdade não faz diferença você dizer “Eu conheço o Rei”, a questão é: O Rei conhece você? Como é que eu posso saber então se eu O conheço? Quando você confia em nada mais, simplesmente em Cristo. [...] Se alguém chegar num verdadeiro cristão e disser o seguinte “Ah, você é um homem tão bom, você tem tantas boas obras...Ah, eu tenho certeza que você vai chegar no céu!” Sabe como é que esse cristão vai responder? Ele vai vomitar, ele vai ficar tão enojado com aquilo que ele acabou de ouvir e ele diz: “Não! Não, de forma alguma! Eu vou para o céu não por causa dos meus méritos, da minha virtude, mas por causa do mérito e da virtude de Jesus Cristo, meu Senhor! Todas as minhas boas obras são como trapos imundos. Eu confiei somente em Cristo!” Uma outra forma de você saber: “Vós o conhecereis pelos seus frutos.” Como é que está o seu coração? Como é que você está andando? Você vem a esta igreja, mas você vive em fornicação? Você vem a esta igreja, mas você está cheio de sensualidade e pornografia? Cheio de mentiras? Cheio de avareza? Cheio de ira? Tenha medo porque mesmo uma boa igreja não pode te salvar. Só Jesus Cristo pode te salvar e a evidência de que Ele te salvou é que Ele continua te transformando e transforma você dia a dia. Aquele que começou boa obra em vós continua operando. Alguns acham que a salvação é como uma vacina que a gente toma. “Pastor eu vou para o céu porque eu me arrependi muito tempo atrás, porque eu cri lá atrás, porque muito tempo atrás eu pedi que Jesus entrasse no meu coração”. Se você realmente se arrependeu muito tempo atrás, você ainda está se arrependendo hoje. Se você realmente creu muito tempo lá atrás, você está crendo ainda mais hoje. Você crescerá no seu arrependimento e na sua fé, você vai crescer na esperança e não creia na mentira de que só porque você fez uma oração você vai para o céu, porque nós somos salvos por arrependimento e fé. Esse é o evangelho, esse é o evangelho. [...]
 “Pai eu peço que Tu tomes a tua palavra e tu converta vidas, mas eu peço que Tu tomes a Tua palavra e Tu fortaleças os verdadeiros crentes. Em nome de Jesus. Amém.”


                                             
                                                   Soli Deo Glória
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Notas:

Transcrição: Levi Cândido

*A melhor expressão seria “no templo”.(Nota do editor do blogger)



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O Evangelho de Cristo que salva o homem (Paul Washer) Blog: Importa Renascer
  
                                   Que o Senhor seja glorificado. Amém!